Brasil - Transporte·27 de junho de 2020

“Temos expectativa de melhora para o setor de transporte terrestre ainda este ano”, diz conselheira da ABRATI

Entre janeiro e maio, o setor de transporte terrestre de passageiros chegou a sofrer redução de 95% no movimento

Por Thiago MarcoliniJornalista formado há quatro anos, com experiência em redação, rádio e assessoria de imprensa. Trabalhou na cobertura da Copa do Mundo 2014 e nas duas últimas eleições presidenciais. Antes de ingressar na equipe do Brasil61, passou pela Band News FM, Agência Brasília, além de ter trabalhado também com comunicação corporativa.
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No final de maio, a dona de padaria Ana Sebastiana Lemos de Matos, de 49 anos, fez a viagem de Montes Claros, em Minas Gerais, até Brasília, para onde vai frequentemente visitar parentes. No ônibus interestadual, poltronas vazias e distância entre os poucos passageiros que viajavam.

“A distribuição dentro do ônibus foi de duas poltronas para cada passageiro, a não ser as pessoas que eram da mesma família. Antes de embarcar estava com medo, mas depois me senti confortável porque o número de pessoas era reduzido”, relata Ana Sebastiana.

O setor de transporte terrestre entre estados e intermunicipal foi fortemente afetado pela pandemia do coronavírus. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (ABRATI), entre janeiro e maio, o segmento chegou a sofrer redução de 95% de embarque de passageiros, em comparação com os cinco primeiros meses do ano passado.

Por ano, ainda de acordo com a ABRATI, o setor de transporte rodoviário interestadual movimenta 50 milhões de pessoas, com faturamento de cerca de R$ 7 bilhões. A associação estima que neste ano já houve prejuízo de R$ 2,8 bilhões para as empresas do setor regulado de passageiros.

“Tendo em vista que as férias de julho e os festejos de São João se foram, temos de ser realistas. No entanto, existe um olhar do governo para esses setores. A Medida Provisória que permitiu a suspensão de contratos e redução da jornada foi muito importante”, destaca Letícia Pineschi, conselheira da ABRATI. 
Algumas rodovias brasileiras ainda estão com restrição de circulação de passageiros. Locais na Bahia, Ceará, cidades do litoral e interior de São Paulo, alguns lugares em Minas Gerais e Rio de Janeiro ainda implementam barreiras sanitárias. 

Mesmo com o setor de transporte afetado pela pandemia e previsão de baixo movimento pelos próximos meses, Letícia Pineschi ainda vê com otimismo o restante de 2020. 

“Podemos sim reagir, mais para o fim do ano, para depois de setembro, se a gente pensar em viagens mais curtas, viagens voltadas para o ecoturismo. Brasileiro gasta muito fora do Brasil. Se essa verba for incentivada e puder ser gasta dentro do Brasil, temos expectativa de pequena melhora para o setor ainda este ano”, diz a conselheira da ABRATI.  

Resolução

No início de junho, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou a Resolução nº 5.893/2020, que trata das medidas a serem adotadas pelos prestadores de serviços de transporte rodoviário interestadual de passageiros e dos serviços de transporte ferroviário de passageiros, para enfrentamento da pandemia do coronavírus.

De acordo com a norma, as operadoras dos serviços devem adotar alguns procedimentos mínimos, como ações para limpeza e desinfecção dos veículos e cuidados para prevenção da disseminação do vírus entre as pessoas no interior dos veículos.

As empresas devem ainda instruir, a cada viagem, sobre as medidas básicas relacionadas à higienização e cuidados a serem adotados pelos passageiros quanto à prevenção da Covid-19.

A norma também esclarece temas como alterações no esquema operacional. O texto estabelece que a frequência de viagens definida para cada linha poderá ser reduzida, inclusive abaixo da mínima durante o período de pandemia.

“Temos que torcer para que tudo dê certo. Os protocolos de biossegurança estão sendo atendidos. Aos grupos de risco, recomenda-se evitar ao máximo as viagens. Para os que precisam viajar, o que pedimos é a constante higienização das mãos, utilização da máscara durante toda a viagem. Isso é muito importante”, ressalta Pineschi. 


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No início de junho, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou a Resolução nº 5.893/2020, que estabelece que as empresas operadoras dos serviços devem adotar alguns procedimentos mínimos, como ações para limpeza e desinfecção dos veículos e cuidados para prevenção da propagação do vírus entre os passageiros no interior dos veículos.

Reportagem, Thiago Marcolini

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Sobre a repórter

Thiago Marcolini

Jornalista formado há quatro anos, com experiência em redação, rádio e assessoria de imprensa. Trabalhou na cobertura da Copa do Mundo 2014 e nas duas últimas eleições presidenciais. Antes de ingressar na equipe do Brasil61, passou pela Band News FM, Agência Brasília, além de ter trabalhado também com comunicação corporativa.