Economia - Educação Profissional·06 de junho de 2022

Rio Grande do Sul precisa qualificar 758 mil trabalhadores em ocupações industriais nos próximos três anos

Do total, cerca de 609 mil já possuem uma formação ou estão inseridos no mercado de trabalho, mas precisam se aperfeiçoar

Por Paloma CustódioPaloma Custódio é jornalista, radialista e graduada em Relações Internacionais. Atuou como produtora e repórter na Rede Boa Vontade de Comunicação (LBV), integrou a equipe de comunicação da ONU Brasil, foi roteirista do Grupo Bandeirantes e repórter do Agro Estadão.
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O estado do Rio Grande do Sul precisa qualificar 758 mil trabalhadores em ocupações industriais nos próximos três anos. A informação consta no Mapa do Trabalho Industrial 2022-2025, compilado pelo Observatório Nacional da Indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Do total, 149 mil deverão se capacitar em formação inicial - para repor os inativos e preencher novas vagas - e cerca de 609 mil já possuem uma formação ou estão inseridos no mercado de trabalho, mas precisam se aperfeiçoar.

O gerente executivo do Observatório Nacional da Indústria, Márcio Guerra, afirma que a qualificação profissional é crucial tanto para os trabalhadores que já estão empregados quanto para aqueles que estão fora do mercado de trabalho.

“O aperfeiçoamento deve ser uma estratégia para todos os profissionais. O aprendizado ao longo da vida passa a ter um papel fundamental no mercado de trabalho nos dias de hoje.”

No Rio Grande do Sul, a demanda pelo nível de capacitação até 2025 será de:

  • Qualificação (menos de 200 horas): 428 mil profissionais
  • Qualificação (mais de 200 horas): 161 mil profissionais
  • Técnico: 120 mil profissionais
  • Superior: 49 mil profissionais

Em volume, ainda prevalecem as ocupações com nível de qualificação, cerca de 78% do total. Mas, segundo Márcio Guerra, houve um crescimento da demanda por formação em nível superior.

“O nível superior cresce sem dúvida a uma taxa muito elevada. Então, é preciso entender que fazer educação profissional não é o fim de uma trajetória. Profissionais que fazem qualificação profissional, fazem curso técnico e depois caminham para o ensino superior são profissionais extremamente valorizados no mercado de trabalho, pela experiência, pela prática e também pela formação”, avalia.

No Rio Grande do Sul, as áreas que mais vão demandar profissionais capacitados, tanto em formação inicial, quanto continuada, são: transversais, metalmecânica, logística e transporte, alimentos e bebidas, e couro e calçados. 

O gerente executivo do Observatório Nacional da Indústria, Márcio Guerra, destaca a relevância das ocupações nas áreas transversais. “Ou seja, aquelas ocupações coringas, aquelas profissões que são absorvidas por diversos setores da economia, que vão desde o setor automotivo até o setor de alimentos. No que diz respeito às áreas, vale destacar também aquelas profissões que estão relacionadas com a indústria 4.0, relacionada a automação de processos industriais.”

Ele também explica que há diferenças nas áreas de formação mais demandadas entre os estados. Isso se deve à dimensão do país e à complexidade da economia brasileira. Segundo Márcio Guerra, a heterogeneidade de recursos e de produção acaba refletindo essas características.

"Nós sabemos que, em alguns estados, há uma concentração industrial maior e em outras regiões, como a região Norte, há uma dispersão maior. Então a estrutura industrial, ou seja, os setores que são predominantes em determinadas regiões são diferentes.”

INDÚSTRIA: Demanda por profissionais com nível superior deve crescer 8,7% até 2025

Brasil precisa qualificar 9,6 milhões de trabalhadores em ocupações industriais até 2025

Mapa do Trabalho Industrial

De acordo com o Mapa do Trabalho Industrial 2022-2025, o Brasil precisa qualificar 9,6 milhões de trabalhadores em ocupações industriais nos próximos três anos. Márcio Guerra explica que a projeção considera o contexto econômico, político e tecnológico do país.

“A partir da inteligência de dados, o objetivo do mapa é projetar a demanda por formação profissional de forma que essa informação sirva, não só para o Senai, mas também para uma discussão mais ampla sobre qual vai ser a demanda futura de profissionais no mercado de trabalho. É muito importante para a sociedade conhecer quais são as tendências, quais são as áreas que tendem ao maior crescimento, sobretudo na sua localidade, mas também entender quais profissões têm mais relevância, mais demanda, para que ele possa planejar a sua trajetória de formação profissional”, explica.

O deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS) comenta sobre a falta de profissionais capacitados no Brasil para atender a demanda do mercado.

“Se nós quisermos recuperar isso, temos que fazer um arranjo produtivo entre município, estado e União, o Sistema S, universidades e fazer aliança com  setores que precisam de mão de obra qualificada, para poder colocar de volta no mercado essas pessoas que têm conhecimento diferenciado, ideias distintas, sexo distinto, colocação distinta. Desde a década de 1990, quando foi tirado o ensino técnico da grade escolar, nós formamos menos de 5% da necessidade do mercado.”

Confira outras informações do Mapa do Trabalho Industrial e a demanda de outros estados no link.

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As áreas que mais vão demandar profissionais capacitados no Rio Grande do Sul, tanto em formação inicial, quanto continuada, são: transversais, metalmecânica, logística e transporte, alimentos e bebidas, e couro e calçados. 

Reportagem, Paloma Custódio

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Sobre a repórter

Paloma Custódio

Paloma Custódio é jornalista, radialista e graduada em Relações Internacionais. Atuou como produtora e repórter na Rede Boa Vontade de Comunicação (LBV), integrou a equipe de comunicação da ONU Brasil, foi roteirista do Grupo Bandeirantes e repórter do Agro Estadão.