Economia - Reforma Tributária·27 de julho de 2023

Reforma tributária: "Ideia é que não exista aumento de imposto", diz tributarista

Saber se a reforma tributária vai aumentar a pesada carga de impostos sobre a população é uma das principais dúvidas dos cidadãos. Especialista diz que haverá reequilíbrio da carga, mas não crê em elevação de tributos

Por Felipe MouraFormado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), desde 2020 é repórter do Brasil 61. Durante a graduação, cobriu Política e Economia pelo jornal O Globo, além de Educação e Carreira pelo Correio Braziliense.
Áudio · 00:01:33
Ouvir áudio · 00:01:33Copiar texto

Em 2022, o peso dos impostos no Brasil representou 33,71% do Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com o Tesouro Nacional. Isso quer dizer que empresas e cidadãos pagaram mais de R$ 3,3 trilhões aos cofres públicos. Por não suportar mais a elevada carga tributária – que está entre as mais altas do mundo –,  é natural que a população olhe com desconfiança para qualquer proposta que queira alterar o atual sistema de cobrança de tributos. Assim, a pergunta mais comum em relação à reforma tributária é: "vou pagar mais imposto?". 

Essa é a dúvida do personal trainer Thiago Antônio de Oliveira, morador de Ceilândia Sul, no Distrito Federal. Quem responde é a especialista em direito tributário Maria Carolina Gontijo. 

Segundo Gontijo, o texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 45/2019, que trata da reforma tributária, prevê a manutenção da carga vigente. Ou seja, a ideia é que a reforma não gere queda nem aumento de arrecadação para o governo. 

Relator da reforma tributária na Câmara dos Deputados, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) garante que o texto traz mecanismos para impedir que haja aumento de impostos para a população. 

A PEC prevê que o Senado vai estabelecer a alíquota de referência (percentual cobrado) dos novos impostos: CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que substituem IPI, PIS, Cofins, ICMS e ISS. O texto não traz expressamente qual o valor dessa alíquota e diz ainda que as alíquotas de referência poderão ser revisadas anualmente. 

Reequilíbrio

A manutenção da carga tributária, porém, não significa que todos os produtos e serviços que os brasileiros consomem vão continuar com o mesmo preço caso a reforma seja aprovada, explica Gontijo. 

A ideia, ela diz, é que haja um reequilíbrio da carga tributária sobre os setores da economia. "Algumas coisas podem experimentar um aumento do tributo que incide sobre elas e algumas podem ver alguma redução", analisa. 

Segundo a especialista, o sistema tributário atual é injusto, porque tributa mais a indústria do que outros setores. "Eles [a indústria] pagam imposto em cima de imposto. Então, provavelmente a gente deve ver alguma diminuição da carga na indústria, sim. Somente por essa questão: porque a gente vai deixar de pagar imposto sobre imposto". 

Já os serviços que estão fora do Simples Nacional, por sua vez, devem ver a carga de impostos subir, acredita. No final das contas, a previsão é de que os impactos para cima e para baixo acabem se anulando.  

Especialista explica o que é o cashback da reforma tributária

Termos da reforma tributária: especialista explica o que é regressividade tributária

Áudio
Áudio

 O reequilíbrio tende a passar pela diminuição da carga tributária sobre a indústria e por uma elevação dos impostos sobre o setor de serviços que estão fora do Simples Nacional. 

Reportagem, Felipe Moura. 

Últimas notícias

Indústria

Indústria tem pior índice de satisfação com lucro desde a pandemia

Eleições 2026

Celina Leão lidera disputa pelo governo do DF com 59,3% dos votos válidos

Brasil Gestor

Tarifaço: São João da Barra (RJ) lidera perdas municipais nas exportações aos EUA; veja ranking

Eleições 2026

Agregador de pesquisas indica chance de 79% de vitória de Flávio Bolsonaro

Empresas

Inadimplência de empresas bate recorde e chega a 9,3 milhões de CNPJs; Sudeste concentra a maior parte

Sobre a repórter

Felipe Moura

Formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), desde 2020 é repórter do Brasil 61. Durante a graduação, cobriu Política e Economia pelo jornal O Globo, além de Educação e Carreira pelo Correio Braziliense.