Economia·11 de junho de 2018

Municípios paulistas sofrem com fechamento de usinas sucroalcooleiras

<p>Desemprego e cofres vazios s&atilde;o heran&ccedil;as deixadas por usina em Brejo Alegre, na regi&atilde;o de Birigui</p>

Por Agência do Rádio
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A falta de gasolina nos postos de vários estados, causada pela greve dos caminhoneiros no final de maio, revelou a dependência do país pelos combustíveis fósseis e a produção de etanol, biocombustível que poderia ser usado com mais frequência pelos proprietários de veículos, em substituição à gasolina, ficou estável nos últimos 10 anos.

De acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar, a UNICA, a produção média de etanol no período foi de 28 mil m³ por ano. Além disso, o setor vem perdendo forças e, desde 2005, 80 usinas foram fechadas nos estados produtores. Apenas no estado de São Paulo, nos últimos dois anos, quatro usinas sucroalcooleiras foram fechadas, de acordo com a UNICA.

Brejo Alegre, por exemplo, teve uma usina sucroalcooleira fechada no início deste ano, a Revati. A crise na usina começou no segundo semestre do ano passado, quando demissões em massa começaram.

O motorista Valdir Pereira dos Santos, de 34 anos, trabalhou na usina durante nove anos e foi demitido durante o segundo semestre de 2017. Ele ainda não conseguiu um novo emprego.

“Foi ruim. Um salário que a gente tinha todo mês para pagar as continhas da gente e hoje a gente não tem. A gente ainda está se mantendo com o dinheiro que sobrou da usina”.

A Revati demitiu cerca de 500 funcionários, nos últimos seis meses, de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Araçatuba e região, responsável em atender os profissionais de Brejo Alegre.

Procurado pela reportagem, o Grupo Renuka do Brasil, proprietário da usina, não retornou para confirmar o número. O presidente do sindicato, Aparecido Moura, conta que os funcionários demitidos da usina estão tendo dificuldades para retornarem ao mercado de trabalho. Ele teme que muitos trabalhadores deixem a região em busca de novas oportunidades.

“O trabalhador acaba se sujeitando a qualquer outra atividade. E tem aquele que não consegue ser absorvido em outras atividades e acaba por mudar da região. O prejuízo não é só para ele. É para o comércio, para tudo. É uma sequência”.

O prefeito de Brejo Alegre, Adriano Bonilha, do PV, revela que o fechamento da usina Revati causou prejuízos graves à economia local.

“O impacto foi muito grande. O impacto financeiro foi enorme. A usina aqui é o carro-chefe. É tanto na parte nossa de impostos, como na parte nossa de emprego. A maioria dos funcionários do município é da usina. Atualmente, está esse desemprego total aqui. Não afetou apenas a nossa, mas afetou a região inteira”.

O estado de São Paulo tem 156 usinas sucroalcooleiras instaladas em 129 municípios, 25 estão em recuperação judicial. Os números são da UNICA, levantados junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária.

Brejo Alegre tem pouco mais de 2.500 habitantes, de acordo com o IBGE. Em 2015, o salário médio mensal da população era de dois salários mínimos e meio. A proporção de pessoas ocupadas em relação à população total era de quase 80%, número que deve diminuir de forma drástica com o fechamento da usina sucroalcooleira de Brejo Alegre.

Com a colaboração de Juliana Gonçalves, reportagem Cristiano Carlos

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