Na condição de réu, o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, deu depoimento à Justiça Federal de Curitiba (PR), nesta quarta-feira (13). O interrogatório durou cerca de 2 horas e 10 minutos. Esta foi a segunda vez que Lula foi recebido pelo juiz Sérgio Moro em processos da Operação Lava Jato.
A acusação foi feita em cima de um suposto pagamento de propina que envolve a construtora Odebrecht. De acordo com a denúncia, foram firmados oito contratos entre a empresa e a Petrobrás, no período de 2004 a 2012.
No suposto esquema de corrupção, o ex-presidente teria sido beneficiado com a compra de um terreno que passaria a ser a nova sede do Instituto Lula. Além disso, a Odebrecht teria comprado um apartamento que seria ocupado por pessoas que fazem a segurança do ex-presidente. O imóvel fica próximo ao que ele vive atualmente em São Bernardo do Campo (SP).
O Ministério Público Federal acredita que a negociação dos imóveis movimentou R$ 75 milhões em propinas. O dinheiro seria para pagar políticos e funcionários da estatal. A denúncia aponta que a parte que pertencia a Lula foi repassada por intermédio do ex-ministro Antônio Palocci e do assessor dele, Branislav Kontic, que também estão envolvidos na denúncia.
Além dos três, Glaucos da Costamarques, Paulo Melo, Roberto Teixeira, Demerval Galvão e Marcelo Odebrecht também fazem parte do processo.
No fim do depoimento, Lula e Moro chegaram a discutir. O ex-presidente acusou o magistrado de ser refém da imprensa. Moro rebateu dizendo que a convicção dele é de que Lula é culpado.
De Brasília, Marquezan Araújo