Por Thiago Marcolini
Com mais de 87 mil pessoas capacitadas em 2018, o SENAI tem investido cada vez mais na preparação da população gaúcha para o mercado de trabalho. Os cursos técnicos e profissionalizantes são os pilares do sistema. No ano passado, o curso de maior destaque foi o de aprendizagem industrial, com cerca de 20 mil alunos.
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A educação também é o ponto forte do SESI. Somente na Educação de Jovens e Adultos (EJA), o SESI do Rio Grande do Sul teve quase 12 mil matrículas em 2018. No ensino médio, foram 843. No final do ano, 2 mil pessoas concluíram os ensinos médio e fundamental.
Uma das histórias de sucesso do Sistema S gaúcho é o do ex-estudante do SENAI Rafael Moresco, de 25 anos. Ele entrou em 2014 no Sistema e cursou, até 2016, o curso técnico em mecânica. Antes na área do comércio, a vida de Rafael se transformou após o término do período no SENAI.
“Após o curso, com toda a aprendizagem que o SENAI me apresentou, me ensinou, eu tive portas abertas na indústria do Rio Grande do Sul, através de empresas multinacionais. Isso seria muito difícil se não tivesse o curso técnico. O SENAI tem uma carta de apresentação melhor na indústria”, afirma.
Mesmo com dificuldade em conciliar trabalho e estudos, à época do curso, Rafael se adaptou à rotina. “Eu trabalhava de dia e estudava a noite. Foi um pouco difícil nos primeiros três meses de adaptação. Mas depois segue o ritmo pela didática. Eu apresento para os meus primos, por exemplo, um pouco mais do SENAI. Digo para fazer algum curso. Para mim fez a diferença, então acredito que se eu passar para mais pessoas, outras pessoas vão ter a oportunidade que eu tive”, destaca.
O coordenador do Centro de Políticas Públicas do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), Naercio Menezes, liderou um estudo sobre o desempenho da rede SESI e das demais redes de ensino, em 2017. Para ele, gestão e qualidade dos professores colocam a rede do SESI a frente das demais instituições de ensino.
“Seria importante para a sociedade se o SESI conseguisse transferir a tecnologia de gestão aplicada nas escolas que são bem-sucedidas para a rede pública, que atende muito mais alunos em todo o país. O que mais precisamos no Brasil é melhorar o aprendizado dos nossos alunos. Temos uma parcela muito grande dos estudantes que não sabem ler nem escrever mesmo no terceiro ano e que chegam no Ensino Médio com conhecimento muito ruim em Matemática", diz Naercio.
Futuro incerto
Mesmo com histórico de sucesso do Sistema S, as entidades correm o risco de sofrer corte no repasse feito anualmente pelo Governo Federal. Antes mesmo de iniciar a gestão, o governo eleito já anunciou que incluiria o sistema S nos cortes de verba.
O governo ainda não confirmou valores, mas os cortes no valor repassado ao Sistema podem variar de 30% a 50%.