Política·02 de outubro de 2017

Divulgação de novos áudios deve esquentar semana na CPMI da JBS

Por Agência do Rádio
A terça-feira (2) deve ser de clima quente no Senado Federal. Além da analise da reforma política e da votação que pode derrubar a decisão do STF de afastar Aécio Neves do mandato, a CPI mista da JBS deve ser outro assunto de grande destaque. Na última sexta-feira (29), novas conversas de Joesley Batista e outros integrantes da JBS foram reveladas pela revista VEJA. O áudio foi feito quando Joesley e Ricardo Saud deixavam a sede da PGR, onde negociavam a delação premiada. Na conversa fica claro que eles já tinham apresentado as gravações contra Temer e Aécio.
 
Os diálogos revelados por Veja foram feitos no carro, a caminho do aeroporto. Além de Joesley e Saud, participaram da conversa os advogados Fernanda Tórtima e Francisco de Assis e Silva. Juntos eles avaliam a disposição dos procuradores em fechar o acordo de delação. Em um momento, o advogado Assis e Silva diz notar uma disposição dos procuradores em atingir o PMDB.

Os novos áudios dão força ao discurso feito por alguns parlamentares de que Joesley teria agido de forma deliberada para desestabilizar o governo do presidente Michel Temer.

Nesta semana, a CPI deve ouvir os depoimentos de quatro pessoas, entre elas o procurador da República Ângelo Goulart Villela, suspeito de ter repassado informações ao grupo J&F quando era auxiliar do ex-procurador geral da República Rodrigo Janot. Nesta terça, comissão recebe o depoimento do ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho. Ele deve se manifestar a respeito dos empréstimos concedidos pelo banco à JBS, ao longo dos últimos 10 anos.

As suspeitas de vazamento de informações dentro do MPF não se restringem a Ângelo Goulart, que será ouvido na quarta-feira (4). O deputado Delegado Francischini (SD-PR), um dos sub-relatores da CPI, lembra que as suspeitas de vazamento também atingem o ex-procurador da República Marcelo Miller. Ele é acusado de ter agido para beneficiar a JBS quando ainda fazia parte da força-tarefa da Lava Jato, no Ministério Público Federal.

"Porque nós temos que focar naqueles que tem indícios graves do cometimento de crimes e de ilícitos. E um deles é o seu Marcelo Miller, que manchou a instituição Ministério Público Federal e merece uma atuação forte dos membros dessa CPMI".

Nesta terça-feira, a CPI também ouve o representante dos acionistas minoritários da JBS, o advogado Márcio Lobo. Ele deve explicar a venda de ações da JBS feita na véspera da divulgação do acordo de delação premiada entre os executivos do grupo e o Ministério Público. Os executivos, segundo a PF, teriam se aproveitado do impacto econômico gerado pelo acordo de delação premiada feito com o Ministério Público Federal.

De Brasília João Paulo Machado

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