Há 30 anos o Brasil comemora o dia Mundial do Combate à Aids. Em Brasília, a primeira manifestação da doença causada pelo vírus HIV aconteceu em 1985. O medo e a insegurança fizeram parte da população, que não tinha nenhum conhecimento sobre a doença. Na época, as pessoas que foram diagnosticadas com o vírus tinham uma sobrevida de apenas cinco meses. Vicky Tavares, presidente da Vida Positiva, ONG que assiste crianças, adolescentes e jovens que vivem e convivem com HIV/aids, lembra o sofrimento ao enfrentar a morte de um amigo durante a época que ficou conhecida como “epidemia devastadora”.
“Pessoas estavam internadas e abandonadas, literalmente abandonadas. E aí, nesse grupo todo de pessoas aqui de Brasília que vieram a fazer óbito, eu tinha um grande amigo, um cabelereiro que era meu amigo que faleceu, e pude ver o quanto o HIV foi destruidor na vida dele. Isso me motivou a cuidar das pessoas porque o abandono me chamou muita atenção, o abandono da família e dos amigos.”
Depois de ter acompanhado de perto todo o sofrimento e preconceito com a doença, Vicky abraçou a causa e decidiu lutar por todas as pessoas que vivem com o HIV/aids. Em 2006, criou a ONG Vida Positiva. Hoje, são 216 famílias assistidas pelo projeto e 23 crianças da instituição que recebem todo o apoio emocional e psicológico, além de roupas e comidas. Todos estudam, fazem esportes e aprendem sobre amor, solidariedade e compaixão. Com 70 anos, Vicky não parou por aí, ela também adotou duas crianças da instituição – uma delas vive com o vírus. Eliane Maria, psicóloga do Hospital Universitário de Brasília, explica a importância da assistência, não só de profissionais, mas também das famílias e da sociedade.
“É fundamental porque é a rede de apoio social, é o apoio de pessoas que não são especializadas no assunto, mas que estão no dia a dia das pessoas que vivem com HIV. Tudo isso faz parte e ajuda a pessoa soropositiva a estar bem no ponto de vista psicológico, emocional e ajuda também a pessoa a lidar com o próprio tratamento.”
Leonardo Augusto, estudante de 21 anos, vive com HIV e mora na Vida Positiva desde os seis. Ele foi infectado pela transmissão vertical (quando a mãe transmite o vírus para o filho). Apesar de ter começado a juventude há pouco tempo, ele já leva histórias de lutas e preconceito por conta da doença, mas reconhece que a instituição mudou sua vida.
“Eu sofri muito preconceito, então minha vó me incentivou muito psicologicamente a seguir em frente e a ser forte, e também me ajudou muito com alimento, com medicação, hospital e isso acabou me tornando uma pessoa vitoriosa.”
Muita coisa mudou desde a década de 1980. O assunto é mais falado e o tratamento, além de gratuito na rede pública, faz com que os pacientes vivam com qualidade. Cada um de nós também pode fazer parte dessa luta contra a Aids e ao preconceito. O amor e o acolhimento são tão importantes quanto os remédios. Use sempre camisinha, conheça as outras formas de prevenção combinada no SUS e proteja-se. 30 anos do Dia Mundial de Luta Contra a AIDS. Uma bandeira de histórias e conquistas. Saiba mais em aids.gov.br.