Ciência & Tecnologia - Lei Geral de Proteção de Dados·20 de agosto de 2020

DF: Crimes cibernéticos crescem 374% de janeiro a junho

Solução para a proteção de informações pessoais, Lei Geral de Proteção de Dados foi sancionada em 2018, mas ainda não está vigente

Por Thiago MarcoliniJornalista formado há quatro anos, com experiência em redação, rádio e assessoria de imprensa. Trabalhou na cobertura da Copa do Mundo 2014 e nas duas últimas eleições presidenciais. Antes de ingressar na equipe do Brasil61, passou pela Band News FM, Agência Brasília, além de ter trabalhado também com comunicação corporativa.
Áudio · 00:04:11
Ouvir áudio · 00:04:11Copiar texto

A pandemia de Covid-19 teve impacto direto nas ocorrências de crimes virtuais no Distrito Federal. Segundo a Polícia Civil do DF, entre janeiro e junho de 2020, houve aumento de 374% no número de golpes pela internet na capital do país. A quarentena, aliada ao fechamento do comércio nos primeiros meses, teve relação direta com o aumento do tempo na web e crescimento na quantidade de transações online. 

Os casos mais frequentes no Distrito Federal, segundo a Polícia Civil, envolvem ofertas em sites falsos, e transferência eletrônica e obtenção de informações sigilosas pelo WhatsApp. Pelo uso amplo de boa parte da população, os golpes pelo aplicativo de mensagens têm grande número de pessoas e não possuem um perfil específico de vítimas. Embora não haja números detalhados sobre esse tipo de crime, os golpes praticados por telefone também aumentaram – a maior parte relacionado a fraudes bancárias. 

Solução para os problemas de vazamento de informações pessoais, a Lei Geral de Proteção de Dados visa padronizar regulamentos e práticas para promover proteção aos dados dos cidadãos que estejam em território nacional. Atualmente, há uma série de normas setoriais que regulam especificamente cada área, mas ainda há o gargalo de um marco legal que defina regras específicas para coleta, tratamento e segurança de informações pessoais.

Sem órgão fiscalizador, Lei de Proteção de Dados "perde eficácia", alerta deputado Orlando Silva

O empresário Ricardo Pereira, dono de um aplicativo de lavagem de carros, já se adequou à nova legislação. “Já estamos dentro de todas as normas. Ela (lei) vem para beneficiar todo mundo. É muito ruim ter seus dados divulgados, vendidos, compartilhados sem autorização. Temos que reinventar a forma de chegar ao cliente, mas não nos prejudicou, pelo contrário, vai fazendo com que as empresas comecem a pensar em uma forma menos invasiva”, diz. 

Segundo o advogado e professor de Proteção de Dados Pessoais, Fabrício da Mota Alves, praticamente todas as empresas terão de se adequar às novas normas.

“A Lei Geral de Proteção de Dados lida com a regulação do tratamento de dados pessoas. Quem quer que vá tratar dados pessoas, e isso quer dizer praticamente todo mundo, terá de observar algumas regras novas. Boa parte dessas regras envolve mudanças comportamentais, operacionais, procedimentais. Não pode mais coletar o dado simplesmente porque quer, passará a ter obrigação de coletar se houver necessidade real para isso”, explica o advogado. 

Mesmo com a segurança de proteção de dados que traz, a LGPD ainda não está em vigência. O principal entrave da legislação, sancionada em 2018, envolve a criação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), órgão federal que vai editar normas e fiscalizar procedimentos sobre proteção de dados pessoais. A avaliação do governo era de que a nova autarquia seria inconstitucional porque o Legislativo não pode criar órgãos que gerem despesas para o Executivo.

O deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) explica como a Lei Geral de Proteção de Dados vai beneficiar a população na prática.

 “A LGPD é importante para tudo, inclusive para a má utilização dos dados pelo governo, instituições financeiras, por comerciantes. Imagine que para obter um desconto uma empresa peça o CPF, telefone, endereço. Essa empresa negocia com outra rede, de outra área, que tem interesse nos seus dados e os vende. Sem autorização. Ela está ganhando dinheiro com suas informações e espalhando dados privados para que o terceiro tenha acesso. A lei vem combater isso e fortalecer que os dados pertencem ao usuário”, destaca o parlamentar. 



MP é urgente

A Lei de Proteção de Dados pode entrar em vigor ainda em agosto, caso o Congresso Nacional não aprove a Medida Provisória 959 até o final do mês. Ela trata da operacionalização do pagamento do Auxílio Emergencial, mas também modifica a data de entrada em vigor da LGPD, de 14 de agosto deste ano para 03 de maio de 2021. Isso quer dizer que se a MP caducar, muitas empresas, principalmente as pequenas e médias, terão problemas para se adequar. 

A matéria estava na ordem do dia na Câmara dos Deputados em 18 de agosto, mas foi retirada da pauta de votação e ainda não tem data marcada para nova sessão. A questão é urgente porque o maior tempo para adequação é necessário não só para que os empreendedores possam se adequar, como também para a devida formalização da Autoridade Nacional de Proteção de Dados.

Modelo internacional

A LGPD foi inspirada no modelo adotado na União Europeia, equiparando as regras do Brasil a padrões internacionais. Pela proposta, haverá maior controle sobre o uso de informações pessoais pelos cidadãos, a possibilidade de verificar, corrigir e excluir dados, além de ter o poder de escolha ao consentir com a coleta e tratamento de seus dados.

Para o deputado federal Júlio Cesar Ribeiro (Republicanos-DF), a LGPD é um passo importante na proteção de dados pessoais. “É um avanço nos direitos dos dados pessoas, que se configuram como atividades cruciais para a qualificação dos dados e informações populacionais. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados vem ao encontro do regulamento da legislação. Por isso, é importante sim a sua instituição o mais rápido possível”, defende. 

Estão previstas medidas de segurança que precisam ser tomadas, como o desenvolvimento de políticas e planos de proteção de dados. O objetivo é que todas as informações que identifiquem uma pessoa precisam ser protegidas, como nome, sobrenome, dados bancários, endereços de IP e até endereços de e-mail. Informações como filiação a sindicatos, religião e opinião política também são considerados pela LGPD, como “dados pessoais sensíveis”.

Áudio
Áudio

Pela proposta da Lei Geral de Proteção de Dados, estão previstas medidas de segurança que precisam ser tomadas, como o desenvolvimento de políticas e planos de proteção de dados. O objetivo é que todas as informações que identifiquem uma pessoa precisam ser protegidas, como nome, sobrenome, dados bancários, endereços de IP e até endereços de e-mail. Informações como filiação a sindicatos, religião e opinião política também são considerados pela LGPD, como “dados pessoais sensíveis”.

A Lei pode entrar em vigor ainda em agosto, mas pode ser adiada para maio de 2021, o que daria tempo para empresas, principalmente as pequenas e médias, se adequarem. Tudo depende do Congresso Nacional, que precisa aprovar a Medida Provisória 959 até o final do mês. Caso isso não ocorra, a MP caduca e a vigência da LGPD continua sendo 14 de agosto.
 

Últimas notícias

Empreendedorismo

Lula sanciona lei que eleva teto do MEI e perdoa dívidas federais

Ministério da Cultura

Apoiada pela Lei Rouanet, Orquestra Brasileira de Cantores Cegos já gerou mais de 300 postos de trabalho

Ministério da Cultura

Rouanet nas Favelas 2 recebe 587 propostas e prevê investimento de R$ 10 milhões

SESI

SESI abre matrículas em diversos estados para 2027 com bolsas de até 100%

Empreendedorismo

Empreendedoras do DF defendem mais acesso ao crédito e participação nas políticas públicas

Sobre a repórter

Thiago Marcolini

Jornalista formado há quatro anos, com experiência em redação, rádio e assessoria de imprensa. Trabalhou na cobertura da Copa do Mundo 2014 e nas duas últimas eleições presidenciais. Antes de ingressar na equipe do Brasil61, passou pela Band News FM, Agência Brasília, além de ter trabalhado também com comunicação corporativa.