Saúde - Covid-19·25 de junho de 2021

Covid-19: Mais de 82% dos quilombolas da microrregião de Garanhuns, no Agreste Pernambucano, já receberam a primeira dose da vacina

Quase 8.800 quilombolas que vivem em 15 municípios da região começaram o processo de imunização

Por Alice RibeiroJornalista formada pela PUC Minas, com experiência em redação e televisão. Trabalhou como repórter na Rede Bahia (afiliada Globo) e TV Leste (afiliada da Record no interior de MG). Também atuou na área de produção, edição de texto e apuração em emissoras de televisão como como a Globo Minas, Record Minas e TV Alterosa (SBT).
Áudio · 00:02:57
Ouvir áudio · 00:02:57Copiar texto

A vacinação contra a Covid-19 chegou para os povos tradicionais quilombolas da região de Garanhuns, no Agreste Pernambucano. A microrregião é formada pelos municípios de Garanhuns, Bom Conselho, Canhotinho, Angelim, Iati e outras catorze cidades, que juntas concentram mais de 10,6 mil pessoas autodeclaradas descendentes e remanescentes de escravizados, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

De acordo com o IBGE, apenas os municípios de Calçado, Jucati, Jupi e Lagoa do Ouro não possuem quilombolas. Até o fechamento desta reportagem, 8.785 pessoas tomaram a primeira dose da vacina, o equivalente a quase 80% do total de quilombolas. Além disso, 15 pessoas já receberam a dose 2 do imunizante, de acordo com o Ministério da Saúde. 

Quadro: Número de quilombolas vacinados com a primeira e a segunda dose na microrregião de Garanhuns:

Município1ª Dose2ª Dose
Garanhuns2.4446
Angelim7751
Bom Conselho3.0633
Brejão5790
Caetés1.2362
Iati11
Saloá1290
Terezinha22
*As seguintes regiões abrigam quilombolas, mas não aplicaram nenhuma dose: Canhotinho, Correntes, Jurema, Lajedo, Palmeirina, Paranatama e São João.

A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Francieli Fantinato, explica a importância da vacina nos grupos prioritários. “As comunidades quilombolas são populações que vivem em situação de vulnerabilidade social. Elas têm um modo de vida coletivo, os territórios habitacionais podem ser de difícil acesso e muitas vezes existe a necessidade de percorrer longas distâncias para acessar os cuidados de saúde. Com isso, essa população se torna mais vulnerável à doença, podendo evoluir para complicações e óbito.”

Covid-19: cerca de 18% da população já tomou a primeira dose da vacina e 9% a segunda

O município de Garanhuns, a cerca de 200 quilômetros do Recife, possui a terceira maior população de comunidades tradicionais de Pernambuco. São 3.307 quilombolas, de acordo com o IBGE. Desses, 2.450 já receberam a primeira dose da vacina contra a Covid-19. Seis quilombolas tomaram a dose reforço e concluíram o processo de imunização. 

Desde o início da pandemia até 22 de junho, o município registrou 13.403 casos de infecção pelo novo coronavírus, com 257 óbitos. Segundo Jéssica Borges, diretora de Atenção à Saúde de Garanhuns (PE), a aplicação da primeira dose da vacina contra a covid-19 na população quilombola começou dia 24 de março. A segunda dose está prevista para o final de junho. Como estratégia para garantir a adesão de todos ao imunizante, as equipes da secretaria de saúde estão indo até as localidades. 

“Nós desenvolvemos algumas atividades de educação em saúde, de sensibilização e isso fez com que a gente diminuísse essa recusa da população em se vacinar. Concluam seu esquema vacinal, para que a imunização possa ser eficaz”, indica Jéssica. 

Ermeson Araújo da Silva, aos 46 anos, já tomou a primeira dose da vacina. O técnico em agropecuária é morador do quilombo Timbó, localizado na zona rural de Garanhuns, e um dos mais antigos da região, onde vivem 175 famílias. Como membro do Movimento Estadual das Comunidades Quilombolas de Pernambuco, Ermeson ressalta os efeitos da vacinação em massa nas localidades e a importância da adesão à segunda etapa da campanha: 

“A incidência da doença caiu bastante nos quilombos. O mundo está atrás de se imunizar e nós estamos tendo essa oportunidade de receber essa vacina. Eu conto com o apoio de todos vocês, de todas as comunidades quilombolas para que a gente ganhe essa luta contra esse vírus”, clamou.

Proteja-se

Se você sentir febre, cansaço, dor de cabeça ou perda de olfato e paladar procure atendimento médico. A recomendação do Ministério da Saúde é que a procura por ajuda médica deve ser feita imediatamente ao apresentar os sintomas, mesmo que de forma leve. Após a vacinação, continue seguindo os protocolos de segurança: use máscara de pano, lave as mãos com frequência com água e sabão ou álcool 70%; mantenha os ambientes limpos e ventilados e evite aglomerações. 

Os quilombolas são prioridade no calendário nacional de imunização do Ministério da Saúde. O estado de Pernambuco está na quinta posição em população quilombola com mais de 54 mil pessoas, segundo o levantamento realizado pelo IBGE, em 2019.

Vacinação em Pernambuco 

De acordo com a Secretaria de Saúde de Pernambuco, o estado recebeu do Ministério da Saúde 4.520.100 doses da vacina contra a Covid-19. Segundo dados do Ministério da Saúde, até o dia 22 de junho, 39.887 quilombolas tomaram a primeira dose do imunizante e 3.171 receberam a dose 2. A vacina é segura e uma das principais formas de prevenção do novo coronavírus. Fique atento ao calendário de imunização do seu município. Para saber mais sobre a campanha de vacinação em todo o País, acesse gov.br/saude. 

Serviço

Quilombolas que vivem em comunidades quilombolas, que ainda não tomaram a vacina, devem procurar a unidade básica de saúde do seu município. Para mais informações, basta acessar os canais online disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Acesse o portal gov.br/saude ou baixe o aplicativo Coronavírus – SUS. Pelo site ou app, é possível falar com um profissional de saúde e tirar todas as dúvidas sobre a pandemia. 

Veja como está a vacinação Quilombola no seu município

 Cerca de 82% da população de quilombolas da microrregião de Garanhuns, no Agreste Pernambucano, já recebeu a primeira dose da vacina contra a Covid-19. De acordo com o IBGE, os municípios que compõem a região, possuem mais 10.600 quilombolas. 

Em Garanhuns, cidade que possui a terceira maior população de quilombolas de Pernambuco, com pouco mais de 3.300 pessoas, 2.450 quilombolas já tomaram a primeira dose, de acordo com o Ministério da Saúde. Seis quilombolas receberam a dose reforço e concluíram o processo de imunização.
A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Francieli Fantinato, explica a importância da vacina nos grupos prioritários.

TEC./SONORA: Francieli Fantinato, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde

“As comunidades quilombolas são populações que vivem em situação de vulnerabilidade social. Elas têm um modo de vida coletivo, os territórios habitacionais podem ser de difícil acesso e muitas vezes existe a necessidade de percorrer longas distâncias para acessar os cuidados de saúde. Com isso, essa população se torna mais vulnerável à doença, podendo evoluir para complicações e óbito.” 

Jéssica Borges, diretora de Atenção à Saúde de Garanhuns (PE), detalha a estratégia para garantir a adesão de todos ao imunizante. 

TEC./SONORA: Jéssica Borges, diretora de Atenção à Saúde de Garanhuns (PE) 

“Nós desenvolvemos algumas atividades de educação em saúde, de sensibilização e isso fez com que a gente diminuísse essa recusa da população em se vacinar. Concluam seu esquema vacinal, para que a imunização possa ser eficaz.”

Ermeson Araújo da Silva, aos 46 anos, já tomou a primeira dose da vacina. O técnico em agropecuária é morador do quilombo Timbó e membro do Movimento Estadual das Comunidades Quilombolas de Pernambuco. Ele reforça a importância dessa população aderir à campanha de imunização. 

TEC./SONORA: Ermeson Araújo da Silva, técnico em agropecuária

“A incidência da doença caiu bastante nos quilombos. O mundo está atrás de se imunizar e nós estamos tendo essa oportunidade de receber essa vacina. Eu conto com o apoio de todos vocês, de todas as comunidades quilombolas para que a gente ganhe essa luta contra esse vírus.”

Quilombolas que vivem em comunidades quilombolas, que ainda não tomaram a vacina, devem procurar a unidade básica de saúde do seu município. Vale lembrar que, mesmo com a primeira dose da vacina, é preciso cumprir o distanciamento social e os protocolos de contenção contra a Covid-19: use máscara, lave as mãos, evite aglomerações, abraços ou apertos de mão e utilize álcool em gel após tocar qualquer objeto ou superfície. Para saber mais sobre a campanha de vacinação em todo o país, acesse gov.br/saude. 

Reportagem, Alice Ribeiro

Últimas notícias

Simples Nacional

Setor produtivo celebra atualização do MEI mas cobra reajuste anual e reforma do Simples

Mineração

CNI estuda potencial brasileiro na cadeia de minerais críticos e baterias

Ministério da Saúde

Ministério da Saúde inicia oferta de nove medicamentos oncológicos pelo SUS

Mineração

CETEM promove seminário sobre inovação

Eleições 2026

Eleições 2026: Justiça Eleitoral monitora risco de temporais no segundo turno

Sobre a repórter

Alice Ribeiro

Jornalista formada pela PUC Minas, com experiência em redação e televisão. Trabalhou como repórter na Rede Bahia (afiliada Globo) e TV Leste (afiliada da Record no interior de MG). Também atuou na área de produção, edição de texto e apuração em emissoras de televisão como como a Globo Minas, Record Minas e TV Alterosa (SBT).