Saúde·11 de dezembro de 2018

CEARÁ: Paciente comemora avanço no tratamento da aids

Por Agência do Rádio
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No início, o HIV pode não apresentar sintoma. Esse foi o caso da agente financeira Credileuda Costa, de 42 anos, moradora do município Horizonte. Ela conta que, em 1993, acompanhou a irmã, que na época sofria de depressão, para fazer uma bateria de exames e, entre eles, fez também o teste do HIV. Cinco dias depois veio o resultado positivo. Na época, no Brasil, ainda não havia medicamentos para o tratamento. Ela conta que fazia apenas consultas, a cada três meses, para ter um monimetoramento médico do desenvolvimento da doença. Diz ainda que só começou a tomar a medicação, em 1996, quando já era oferecida pela rede pública. Nessa mesma época, engravidou pela segunda vez. Credileuda fez o pré-natal com o AZT. A filha não nasceu com o HIV. Depois disso, fez tratamento com vários remédios, mas a experiência, segundo ela, não foi agradável.

“A primeira medicação foi o ‘ó’. Não consegui tomar de maneira nenhuma. Eu tive muito problema de aderir a medicação porque, com algumas delas, eu sentia muito enjoo, muita diarreia, muita náusea, e eu não conseguia. Quando eu não conseguia eu parava e ia no doutor Lacerda: ‘Olha, tá acontecendo isso e não vou tomar, não tá me fazendo bem. Pode estar aumentando o CD4, mas não tá me fazendo bem, e eu não tomava. Eu era rebelde pra tomar medicação.”

Cledileuda passou por vários tratamentos. Quando sentia fortes efeitos colaterais com as medicações ia no médico e pedia para trocar. Mas ela comemora que os atuais medicamentos, oferecidos pelo SUS, são muito eficazes no tratamento e não causam os incômodos dos antigos remédios. Segundo ela, 17 dias após começar com as novas medicações já se tornou indetectável, que é quando a pessoa passa a não transmitir o vírus. Atualmente, Credileuda está casada há seis anos e conta que seu marido, Gildevan, de 33 anos, não possui o HIV. Ela se dedicou também a participar de grupos de apoio às pessoas com aids: a Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e o Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas. Telma Martins, coordenadora estadual de IST/aids da Secretaria de Saúde do Ceará, alerta a população sobre a importância de se fazer os exames de checagem regularmente. Quanto mais cedo o diagnóstico, mais eficaz é o tratamento, além de permitir acabar com o ciclo de transmissão.

“Se a pessoa começa o tratamento mais cedo, ela pode tanto evitar transmitir pra outras pessoas como pode não adoecer ou não vir a uma situação pior em relação à aids. Então, os benefícios são muitos pra quem faz o teste, pra quem se cuida.”

O Boletim Epidemiológico de HIV/aids revela que no período de 2014 a 2017, houve um crescimento de 8,8% no coeficiente de mortalidade no Ceará, que passou de 3,4 para 3,7 óbitos por 100 mil habitantes. E, em relação aos casos, desde o ano de 2014, se registrou uma redução da taxa de detecção da doença no estado. Eram 14,8 casos por cada 100 mil habitantes, em 2014, e, em 2017, são 13,7 para cada 100 mil habitantes, o que representa uma redução de 7,4%. Faça sua parte. Essa é uma luta de todos. Faça checagens regularmente. E, claro, previna-se. Use camisinha e conheça as outras formas de prevenção combinada, disponíveis no SUS. Proteja-se. Trinta anos da luta mundial contra a aids. Uma bandeira de histórias e conquistas. Saiba mais em aids.gov.br.
 

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