Por Cristiano Carlos
O estado de Goiás investiu cerca de R$ 244 por habitante em saneamento básico, nos últimos anos. O valor é maior em comparação aos investimentos realizados, em média, pelos outros estados da federação e posiciona os goianos em sétimo lugar no ranking nacional de cobertura de saneamento. Os dados são de pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria, a CNI.
A melhora dos serviços prestados na distribuição de água e no tratamento de resíduos em Goiás pode ser consequência da política implantada pela companhia de saneamento estadual, a SANEAGO, que firmou parceria com a iniciativa privada nos serviços de coleta e tratamento de esgoto em Jataí, Rio Verde, Trindade e Goiânia. A meta é que, até 2021, sejam investidos mais de um bilhão e 200 milhões de reais para elevar o tratamento de esgoto, em todo estado.
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No entanto, Goiás ainda precisa avançar para garantir melhores condições de tratamento de esgoto nas cidades e, por consequência, mais qualidade de vida para a população. Para isso, os recursos públicos precisam ser investidos com responsabilidade e de forma dinâmica e eficaz.
Além de promover novas obras para extensão da rede de esgoto, os governos estaduais e municipais precisam garantir que as galerias e as estações de tratamento existentes tenham manutenção adequada, sem aumentar os custos com operações de troca de equipamentos e reparos.
O desafio é buscar processos e produtos inovadores capazes de contribuir para a manutenção das redes tornando o trabalho de reparo, de desentupimentos e de limpeza, entre outros, ágil.
Nesse sentido, alunos do curso técnico profissional de mecatrônica, do SENAI, de Goiânia, foram incentivados a criar um processo inovador que pudesse contribuir para a manutenção das redes de água e esgoto implantadas nas cidades.
Eles criaram um robô capaz de inspecionar os canos, as galerias, e de registrar possíveis problemas como vazamentos, entupimentos e graves, por meio de imagens em fotografias e vídeos.
“O colaborador para fazer a inspeção, ele tinha de fazer, praticamente, com as mãos. Então, era uma séria de limitações para a atividade executada. O aluno teve essa percepção e trouxe para a sala de aula como uma situação de aprendizado mesmo”, conta a Instrutora de Eletroeletrônica, do SENAI, de Goiânia, e orientadora do projeto Vídeo Robô, Mirian Araújo.
Desenvolvimento
A concepção do Sistema de Vídeo Inspeção Robotizada para Redes com TIL radial, condominial ou curva de 90 graus vertical, foi do aluno do curso técnico profissional de mecatrônica do SENAI, Guilherme Orro, de 29 anos. Ele foi funcionário de uma empresa prestadora de serviços da SANEAGO.
Guilherme conviveu com as dificuldades cotidianas da manutenção e inspeção das redes de água e esgoto da capital goiana e percebeu que a dinâmica do trabalho, realizado pela força humana, poderia ser substituída por tecnologia. Ele sugeriu que o projeto vídeo robô fosse desenvolvido no SENAI.
“O aluno já veio com a concepção para mim. E a minha interação com ele foi escrever a ideia dentro de um projeto. E nós ficamos nesse processo de amadurecimento da ideia, da viabilidade econômica do projeto, a viabilidade técnica, até que nós conseguimos conceber esse projeto em forma escrita”, relata Mirian Araújo.
O Sistema de Vídeo Inspeção Robotizada de Redes de água e esgoto foi inscrito na etapa regional do Mostra Inova 2018 do SENAI. O Programa seleciona e apoia o desenvolvimento de projetos realizados por alunos das escolas SENAI, com ajuda de custos e consultoria técnica de profissionais especializados, em todo país.
A classificação no Mostra Inova impulsionou a equipe de estudos a desenvolver um protótipo, um primeiro modelo do Vídeo Robô, nos laboratórios do SENAI, de Goiânia. O sistema foi concebido para substituir o trabalho humano na inspeção de tubos, manilhas, galerias e, ao comando do operador, emitir rapidamente relatórios conclusivos que possibilitem a intervenção exata na rede e, assim, evitar transtornos para a população, como a abertura desnecessária de buracos em vias públicas.
“Nesse percurso que ele faz, o profissional teria de mexer na estrutura para encontrar o vazamento. O robô já faz isso. Automaticamente, o robô também já emite um laudo do local preciso. Isso é realmente inovador porque não tem nessa área um robô que consiga ir ao local e já emitir um laudo e a localização”, explica a instrutora do SENAI, de Goiânia.
No Mostra Inova 2018 do SENAI, o Sistema Vídeo Robô de inspeção de redes de água e esgoto avançou para etapa nacional e foi considerado o melhor projeto entre os 25 finalistas da categoria Processo Inovador. Hoje, Guilherme Orro é administrador de uma startup criada para comercializar o Vídeo Robô. A expectativa é de que o sistema esteja pronto para ser comercializado no primeiro semestre de 2019.
“O SENAI, inclusive, deu uma parte de dinheiro e disponibilizou maquinário para que eu pudesse fazer o primeiro protótipo. Está em fase final. Já está quase virando um produto para ser comercializado o serviço. Eu acredito que deve terminar em, no máximo, dois meses”, revela o aluno do curso de mecatrônica do SENAI, de Goiânia, e desenvolvedor do Sistema Vídeo Robô, Guilherme Orro.
Programa Mostra Inova 2018
O programa Mostra Inova 2018, do SENAI, classificou 50 projetos para a fase nacional, em duas categorias: Produto Inovador e Processo Inovador. Os classificados demonstraram seus projetos na Olimpíada do Conhecimento, realizada pelo SESI e SENAI, no mês de julho.
Os 25 projetos classificados na categoria Produto Inovador tiveram consultoria com profissionais especializados, aulas à distância e auxílio financeiro de até cinco mil reais para o desenvolvimento das ideias. Na categoria Processo Inovador, os selecionados contaram com consultoria, participaram de banca virtual, de aulas à distância e auxílio financeiro de até dois mil reais.
Ao todo, as escolas do SENAI, em Goiás, participaram da etapa nacional do Mostra Inova 2018 com seis projetos. Além do Sistema de Vídeo Inspeção Robotizada de redes de água e esgoto, desenvolvido em Goiânia, o estado foi destaque com o projeto Multmaker, impressora 3D multifuncional de baixo custo criada por alunos do SENAI de Catalão.