Economia·17 de março de 2017

TRABALHO: Emprego volta a crescer depois de 22 meses; minirreforma pode contribuir para geração de vagas, avaliam especialistas

Por Agência do Rádio
LOC.: Pela primeira vez em 22 meses a economia brasileira voltou a gerar empregos. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o Caged, o mês de fevereiro teve 35 mil e 600 contratações a mais do que demissões. O número é uma boa notícia para o Governo, que propôs diversas medidas para tentar reduzir a taxa de desemprego no país. Um exemplo é a Reforma Trabalhista, que tem como objetivo dar mais força para os acordos entre funcionários e empregados. O professor do Departamento de Economia da PUC do Rio de Janeiro, José Márcio Camargo, acredita que a medida vai favorecer a retomada do emprego.
TEC./SONORA:  José Márcio Camargo, professor do Departamento de Economia da PUC-RJ,
“Para o trabalhador vai ter maiores oportunidades de trabalho porque o empregador vai estar mais disposto a empregar trabalhadores e, consequentemente, vai ter melhores condições de funcionamento do mercado de trabalho. O que favorece muito o trabalhador, porque vai ter menos desemprego.”
LOC.: A reforma vai permitir que os acordos feitos entre patrões e empregados tenham força de lei. Dessa forma, as duas partes vão poder negociar horários mais flexíveis ou até mesmo a possibilidade de trabalhar dentro da própria casa. Isso tudo, é claro, dentro do que já é determinado pela Constituição, sem prejudicar o direito dos trabalhadores. O professor da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo, Hélio Zylberstajn, explica que – no longo prazo – a reforma vai possibilitar, ainda mais, a recuperação do emprego.
TEC./SONORA: Hélio Zylberstajn, professor da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (USP)
“Mas a reforma ela faz coisas importantes, quando ela aumenta o espaço da negociação, ela cria uma oportunidade para que os compromissos entre as partes se acentuem. Isso tem reflexos em rotatividade, em produtividade e lá na frente vai ter reflexos em emprego também.”
LOC.: O ex-ministro da Fazendo, Mailson da Nóbrega, também entende que a medida é favorável. Na avaliação dele, atualmente as leis trazem brechas que podem prejudicar os empresários e dificultar a criação de empregos.
TEC./SONORA: Mailson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda
“A possibilidade de recurso na justiça está sempre presente e muitos trabalhadores usam isso de forma oportunista. Isso gera custos enormes para as empresas e isso gera dificuldades de contratar. Por isso eu acho que é o início de uma mudança cultural importante”.
LOC.: Para o presidente Emérito da Academia Nacional de Direito do Trabalho, Nelson Mannrich, se a medida for aprovada, o ambiente para a geração de emprego no Brasil vai ser mais favorável.
TEC./SONORA:Nelson Mannrich, presidente Emérito Da Academia Nacional de Direito do Trabalho
“O fato de eu ter o espaço de negociação que favoreça a empresa no sentido de ela ter a garantia de que aquilo será cumprido, isso vai criar um ambiente positivo. Portanto, a sociedade como um todo ganhará.”
LOC.: Em 2016, o Brasil fechou mais de um milhão e 300 mil vagas de emprego formais. A proposta de Reforma Trabalhista está sendo discutida na Câmara dos Deputados para, em seguida, ser debatida no Senado.

Reportagem, Bruna Goularte

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