Por Jalila Arabi
Um estudo da empresa multinacional de recrutamento ManpowerGroup mostra que há vagas com bons salários para técnicos, mas falta mão de obra especializada. Para se ter ideia, um técnico em Mineração pode chegar a ganhar o dobro de um cirurgião-dentista. “Aqui em Tocantins, 5% dos colaboradores que estão nas empresas ou nas indústrias têm ensino superior e 54% possuem ensino técnico. A gente percebe que a indústria precisa de mão de obra técnica especializada, pronta para o aumento da produtividade e da solução de problemas”, acredita a diretora regional do Senai em Tocantins, Márcia Rodrigues.
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Em 2016, o número de matriculados na educação profissional no estado chegou a 15,9 mil, o triplo do registrado em 2006, de acordo com dados do Censo Escolar. Entre a população brasileira de 25 a 64 anos, só 14% tinham ensino superior em 2016 – a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é 35%. Nos países europeus, mais de 50% dos estudantes optam por educação profissional. Na Áustria, por exemplo, a média chega a 75%. No Brasil, não passa de 10%.
“O curso técnico permite essa rápida empregabilidade para os jovens. Muitos que vão para o ensino superior abandonam o curso, porque não possuem uma fonte que dê receita para custear o ensino superior. Quando ele vem para o ensino técnico, como ele já percebe rapidamente essa ponte com o mercado de trabalho, por vezes se utiliza desses recursos para que possa dar continuidade à sua formação”, defende Márcia Rodrigues.
Oportunidade
Até 2015, os setores de construção, de serviços industriais de utilidade pública e de alimentos eram destaque em Tocantins. Os cursos técnicos nessas áreas também estavam entre os mais procurados. Junto com esses, está também o de Automação Industrial, ministrado por Lailson de Souza, de 24 anos, na capital do estado (Palmas). Assim que terminou o ensino médio, o jovem nascido no Rio Grande do Norte foi aprovado no processo seletivo do Senai potiguar e também na Universidade Federal Rural do Semiárido. “Houve um certo conflito de horários e eu acabei optando pelo curso técnico. Tinha passado dentro de um número limitado de gratuidade de vagas e não teria mais direito no ano seguinte, por conta da idade. E o curso superior teria oportunidade durante toda minha vida”, explica.
Lailson comenta também que houve outro motivo por ter optado pelo curso técnico naquele momento. “Com um curso técnico, na minha visão, a pessoa tem uma chance mais clara de ingressar no mercado de trabalho.” Atualmente, Lailson está cursando Engenharia Elétrica na Universidade Federal de Tocantins.
Segundo o último Mapa do Trabalho Industrial, até 2020, o Brasil vai precisar qualificar 13 milhões de técnicos para atender à demanda da indústria. Algumas áreas fora da indústria também estão com carência desses profissionais, como é o caso de manutenção de veículos, operador de processamento de alimentos e funileiro automotivo.
A diretora Márcia Rodrigues afirma que a prioridade do Senai é oferecer cursos no estado que atendam à expectativa da indústria local. “A gente tem essa grande preocupação, de que nossos cursos técnicos sejam efetivamente uma ponte para o mercado de trabalho, porque o nosso propósito é atender à indústria”, conclui.