A agroindústria é o carro-chefe da economia do estado do Tocantins. O escoamento da produção, no entanto, é dependente das condições da malha rodoviária do estado, visto a pouca quilometragem de ferrovias no país. O Tocantins, assim como vários outras unidades da federação, apresenta boa parte das rodovias em estado regular ou ruim.
Dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT) indicam que 44,5% da malha rodoviária estão em condição regular, e 29,5% em estado ruim. Uma das maiores rodovias que cortam o Tocantins, a BR-153, foi avaliada como regular pela CNT em grande parte, principalmente no trecho entre os municípios de Talismã, próximo à divisa com Goiás, e Guaraí.
Outra rodovia que merece atenção é TO-080, que passa pelo município de Caseara, pela capital Palmas e termina em Aparecida do Rio Negro. Nesse trecho, a pista está em condições ruins, de acordo com a CNT.
Dos pouco mais de 3 mil quilômetros avaliados pela Confederação Nacional do Transporte, apenas 1% foi considerado em ótimo estado, quase 16% em boas condições e 9,3% em péssimas condições. A logística e a estrutura do transporte de cargas são fatores determinantes na agilidade da entrega de mercadorias, o que também diminui o custo.
Para o analista de infraestrutura do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Bruno da Hora Lobo, o Brasil não pode ser dependente de um único sistema de transporte.
“A grande questão é você não criar dependência em cima de um só modal. O modal ferroviário, sem dúvida nenhuma, traria o alívio da sobrecarga que o rodoviário está sofrendo hoje. Então seria interessante começar a investir, até porque boa parte do investimento feito no modal rodoviário, normalmente, é feito por empresas privadas. Como medida de planejamento a longo prazo, obviamente que seria muito interessante começar a investir tanto em hidrovias quanto em ferrovias”.
O setor de infraestrutura está incluído no projeto de governo dos presidenciáveis. O ex-ministro Henrique Meirelles, do MDB, por exemplo, pretende integrar o sistema de transportes no país e investir, principalmente, no sistema hidroviário.
“Temos que explorar também a grande vantagem do Brasil, que é a hidrovia, que é o sistema mais barato que existe de transporte. Algumas obras pontuais, por exemplo, eliminando algumas rochas no Tocantins, Araguaia pode viabilizar o grande escoamento de toda essa região”.
O candidato do PSOL, Guilherme Boulos, disse que é preciso aumentar o investimento estatal na área, que hoje corresponde, segundo ele, a apenas 2% do PIB. Já Marina Silva, da Rede, defende um projeto econômico que esteja atento às mudanças nas formas de produção mundial.
Reportagem, Thiago Marcolini