O mês de maio deste ano foi de muita comemoração para a população brasileira. O Brasil não ganhou a Copa do Mundo, mas a celebração deveria ser parecida com a da conquista. O motivo, na verdade, foi o fim da emergência em saúde pública do Zika vírus. Segundo o Ministério da Saúde, neste ano, até o dia 11 de novembro, 16.870 casos do vírus foram confirmados no Brasil. O número mostra uma queda de mais de 92% em relação ao mesmo período de 2016, quando foram registrados 214.126 casos. Você tem dúvidas sobre o vírus da Zika? A infectologista e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, Doutora Melissa Falcão, esclarece algumas dúvidas sobre o tema.
Doutora Melissa, quais são os sintomas da Zika?
“Os principais sintomas da Zika são: vermelhidão no corpo, com coceira, algumas vezes febre baixa, ou sem febre. Dor nas articulações também pode acontecer. Então, o principal sintoma da Zika é a vermelhidão no corpo e a coceira.”
Doutora, qual a melhor forma de proteção contra a Zika?
“Para se proteger da Zika tem que usar repelente, principalmente no início da manhã e final da tarde, que é o horário que o mosquito Aedes aegypti pica com mais frequência. Então, é importante passar repelente desde a hora de acordar até a hora de dormir, repetindo a quantidade de vezes que for indicada pelo fabricante. Diferente da Dengue e da Chikungunya, na Zika, o companheiro da grávida também tem que usar repelente, porque o vírus pode ser transmitido por meio da relação sexual.”
Quer dizer que a Zika pode ser transmitida por meio de relação sexual?
“Sim, a Zika, comprovadamente, pode ser transmitida pela relação sexual. Então, não só a gestante tem que se proteger, mas também seu companheiro, para evitar a transmissão para a mulher durante a gravidez.”
Como é feito o diagnóstico da doença?
“O diagnóstico de Zika pode ser feito pelos sintomas clínicos. Então, nas cidades que têm o Zika circulando, que no Brasil já é praticamente em todas as cidades, se tiver um quadro de coceira, com vermelhidão, é preciso cogitar ser uma caso de Zika. O diagnóstico laboratorial é feito com a identificação do vírus na urina, no sangue ou na saliva, pelo PCR ou pelo isolamento do vírus. Então, pela parte do vírus, eu consigo fazer a identificação do vírus completo. E também pode ser feito por meio do soro, pela sorologia.”
Doutora, há algum tratamento ou vacina para a Zika?
“Têm algumas vacinas para Zika em desenvolvimento, mas nenhuma é liberada ainda para uso.”
Se a pessoa estiver com os sintomas da Zika, que são principalmente vermelhidão no corpo e coceira, o que ela deve fazer?
“Se estiver com os sintomas da Zika, deve procurar um atendimento médico para ser orientada a tratar corretamente. A gente deve evitar a automedicação, principalmente se a mulher estiver grávida ou se estiver tentando engravidar. Precisa confirmar o diagnóstico para que se evitem problemas com o bebê. Se essa mulher está tentando engravidar e teve um quadro de Zika, se teve um episódio de vermelhidão no corpo, o ideal é que aguarde antes de engravidar.”
Doutora, para finalizar, a Zika é transmissível?
“Sim, a Zika pode ser transmitida pela picada do inseto e por meio da relação sexual. Então, um parceiro pode transmitir a Zika para a parceira pelo sexo. Tanto do homem para a mulher, como da mulher para o homem, do homem para o homem, qualquer relação sexual pode levar à transmissão da Zika.”
Mesmo com o fim do estado de emergência em saúde pública por Zika, não podemos nos acomodar. O combate ao mosquito continua. Como a Doutora Melissa pontuou, a Zika também pode ser transmitida por meio das relações sexuais. Portanto, previna-se. Participe também e lembre-se de que um mosquito pode prejudicar uma vida. E o combate começa por você. Para mais informações sobre o assunto, acesse saude.gov.br/combateaedes.