Economia - Exportações·02 de agosto de 2025

Tarifa adicional de 50% incidirá sobre 35,9% das exportações brasileiras; Indústria propõe ações emergenciais ao governo

Pacote de medidas enviado ao governo federal pela entidade prevê desde a ampliação do crédito com juros reduzidos até a prorrogação de tributos

Por Lívia BrazFormada em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em 2007, é repórter do Brasil 61 desde 2022. Ao longo de 18] anos de carreira, atuou nas redações da Record TV e na assessoria de comunicação do Governo do Distrito Federal (GDF), cobrando fatos relevantes da história do pais, como posses presidenciais e eventos jurídicos, como o julgamento do Mensalão no STF.
Áudio · 00:01:42
Ouvir áudio · 00:01:42Salvar imagemCopiar texto
Imagem: Reprodução / Agência de Notícias da Indústria
Imagem: Reprodução / Agência de Notícias da Indústria·Foto: Brasil 61

Embora gigantes como a Embraer já tenham conseguido derrubar a sobretaxa norte-americana, diversos outros setores produtivos brasileiros permanecem sujeitos à tarifa de 50% (aumento de 40% nas tarifas já existentes, de 10%). Oficializada na última quarta-feira (30), por decreto do presidente Donald Trump, a medida passa a valer em 6 de agosto.

Levantamento preliminar da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC) aponta que tarifa adicional de 50% incidirá sobre 35,9% das exportações brasileiras para os Estados Unidos. Essa fatia correspondeu a US$ 14,5 bilhões em 2024.
Preocupada com o impacto desproporcional sobre os negócios de menor porte, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) enviou ao governo federal um pacote de oito medidas emergenciais para amortecer o efeito do “tarifaço”. A entidade defende que o momento exige negociação diplomática e políticas internas de apoio às empresas, “e não retaliação”.

“Não há justificativa técnica ou econômica para o aumento das tarifas. Acreditamos que essa medida é uma relação de perde-perde para os dois países”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Propostas para apoiar as empresas

As medidas entregues ao ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, visam garantir fôlego financeiro e preservar a capacidade exportadora dos negócios afetados:


●        Linha emergencial de crédito do BNDES com juros entre 1% e 4% ao ano;

●        Prorrogação e flexibilização de contratos de câmbio de exportação;

●        Adiamento de tributos federais por 120 dias, com parcelamento posterior sem multa ou juros;

●        Pagamento imediato de créditos acumulados de PIS/Cofins e IPI;

●        Ampliação do Reintegra para 3%;

●        Reativação do Programa Seguro-Emprego;

●        Ações contra práticas de dumping e reforço à defesa comercial.

Setores estratégicos na linha de frente

Segundo a CNI, cerca de 700 produtos brasileiros serão isentos da tarifa de 50%. Entretanto, os setores importantes para a exportação brasileira ficaram de fora da lista de exceções. Entre os mais atingidos, estão:


●        Proteína animal, café e etanol;

●        Máquinas e equipamentos industriais;

●        Produtos manufaturados e de alto valor agregado.

Relação bilateral

Os Estados Unidos são o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira, com destaque para pequenas e médias empresas. Segundo a CNI:


●        Cada R$ 1 bilhão exportado em 2024 gerou 24,3 mil empregos e R$ 3,2 bilhões em produção nacional;

●        O Brasil tem quase 3 mil empresas atuando nos EUA;

●        Os investimentos brasileiros no país somam US$ 22,1 bilhões.

Missão aos EUA tenta conter prejuízos

Para a CNI, o momento exige pressão coordenada entre setor produtivo e diplomacia governamental para evitar perdas duradouras. Como resposta diplomática, a CNI prepara uma missão empresarial aos Estados Unidos para sensibilizar o setor privado norte-americano. A intenção é mostrar que a tarifa afeta ambos os lados da relação comercial, com prejuízos diretos para cadeias produtivas e empregos.

"O nosso objetivo é abrir a conversa entre empresas brasileiras e americanas que sejam fornecedores ou clientes e vice-versa umas das outras. Nosso papel da CNI é ser um facilitador e um coordenador", reforçou Alban.

Áudio

LOC.: Levantamento preliminar do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços aponta que tarifa adicional de 50% incidirá sobre cerca de 36% das exportações brasileiras para os Estados Unidos.

Essa fatia correspondeu a CATORZE BILHÕES E MEIO DE DÓLARES no ano passado.

Reportagem, Livia Braz
 
 

Últimas notícias

Ministério da Saúde

Ministério da Saúde inicia oferta de nove medicamentos oncológicos pelo SUS

Mineração

CETEM promove seminário sobre inovação

Eleições 2026

Eleições 2026: Justiça Eleitoral monitora risco de temporais no segundo turno

Dólar

Dólar fecha a R$ 4,98 nesta sexta-feira (23) antes do segundo turno das eleições

Ibovespa

Ibovespa fecha em alta de 0,76% antes do segundo turno das eleições

Sobre a repórter

Lívia Braz

Formada em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em 2007, é repórter do Brasil 61 desde 2022. Ao longo de 18] anos de carreira, atuou nas redações da Record TV e na assessoria de comunicação do Governo do Distrito Federal (GDF), cobrando fatos relevantes da história do pais, como posses presidenciais e eventos jurídicos, como o julgamento do Mensalão no STF.