A cidade do Rio de Janeiro é conhecida mundialmente pelas belas paisagens e eventos como Carnaval e Réveillon, que mobilizam milhões de pessoas todos os anos. Apesar dos encantos, a violência acabou se tornando uma marca registrada da capital carioca, que vê o problema atingir também o âmbito econômico. Um estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que a criminalidade na Cidade Maravilhosa provocou queda de R$ 657 milhões nas receitas do turismo fluminense entre janeiro e agosto deste ano. O montante equivale a 29% do total da perda do faturamento do setor (R$ 2,291 bilhões).
A perda da receita, que equivale ao faturamento de quase nove dias do turismo local, impactou de forma mais significativa o segmento de bares e restaurantes (R$ 332,1 milhões). Em seguida, os serviços mais afetados foram de transportes, agências de viagens e locadoras de veículos (R$ 215,5 milhões), hotéis, pousadas e similares (R$ 97,7 milhões, ou 14,8%) e por atividades culturais e de lazer (R$ 14,7 milhões). O economista especializado em turismo, Gilson Garófalo, ressalta que o comércio depende diretamente da segurança pública para funcionar.
“O turismo é a porta para uma série de outras atividades. Junto ao turismo, vem todo o setor de negócios. Mas esse quadro só se torna favorável se o potencial interessado em visitar a cidade perceber que ali ele desfruta de uma certa segurança”.
Segundo estimativa da CNC, para cada aumento de 10% na criminalidade, a receita bruta das empresas que compõem a atividade turística do Estado recua, em média, 1,8%. O estudo identifica que a sensibilidade ao aumento da violência no Estado é maior nos segmentos mais dependentes do turismo, como hospedagem e transporte. Já nos segmentos de alimentação e serviços culturais e de lazer, mais ligados à prestação de serviços, o aumento de 10% na criminalidade no Estado reduz as receitas em 1,7% e 1,5%, respectivamente.
Nesta quarta-feira (1º), as polícias Civil e Militar do Rio registraram aumento de 75% no número de fuzis apreendidos no Estado este ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), de janeiro a agosto de 2017 foram apreendidas 347 armas desse tipo, sendo 264 só na capital. A quantidade já se próxima das apreensões de todo o ano de 2016: 371.
Reportagem, Tácido Rodrigues