Desde os quatro anos de idade dentro da rede do Serviço Social da Indústria de São Paulo (SESI), a estudante Natália de Souza Domingues tem toda a vida de estudos proporcionada pela entidade membra do Sistema S. Ela ingressou no SESI ainda na pré-escola e permaneceu até concluir o ensino médio. No ano passado, 96 mil pessoas se matricularam no ensino básico da escola no estado de São Paulo.
Ao término do ensino médio, Natália decidiu cursar Licenciatura em Matemática, na Faculdade de Educação do SESI. Surgida em 2015, a instituição foi uma das primeiras a oferecer licenciaturas por área do conhecimento em Linguagens, Ciências Humanas, Ciências da Natureza e Matemática.
A proposta da faculdade surgiu da necessidade de preparar mais os professores para o mercado de trabalho. Pesquisa de 2018 da Organização Não-Governamental Todos pela Educação aponta que 71% dos profissionais não estão satisfeitos com a formação inicial. Para eles, falta principalmente prática da profissão, como gestão de sala de aula e fundamentos e métodos de alfabetização.
Além da parte teórica, os estudantes têm ainda uma residência educacional em que acompanham na prática a rotina da sala de aula desde o primeiro semestre de curso.
A Faculdade de Educação do SESI de São Paulo encerrou 2018 com 198 alunos. Em todas as unidades da entidade no estado, que abrange ainda as áreas cultura e de atendimento à empresas, são mais de 110 mil alunos.
“A faculdade se preocupa muito com a forma como nós estamos aprendendo o conteúdo, a maneira como nós estamos enxergando o mundo, enxergando a sociedade, enxergando a própria educação. A residência ela proporciona isso.”
Para Natália, o intuito principal da faculdade do SESI é formar professores.
“A minha visão da própria carreira está sendo transformada no decorrer dessa formação. Ela tem uma visão de formar o professor. Então, a gente escuta muito sobre ‘não vamos ser professor, nós somos professores em formação’. E isso realmente acontece.”
Mas mesmo com histórico de sucesso na capacitação de pessoas para o mercado de trabalho, em 2019 a história das entidades do Sistema S pode ser diferente. Isso porque a ideia do Governo Federal de reajustar as contas públicas tem o Sistema como um dos cortes previstos.
O governo ainda não confirmou de quanto vai ser o corte, mas segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, a redução no valor do repasse pode variar entre 30% e 50%.
Reportagem, Thiago Marcolini