Há pelo menos sete anos, os pequenos produtores são responsáveis por colocar comida na mesa do brasileiro. De acordo com o Censo Agropecuário de 2017, mais de 70% dos estabelecimentos agrícolas do país foram classificados como de agricultura familiar. Para fortalecer e aumentar ainda mais essa produção, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) aposta no Programa Rotas de Integração Nacional, que completa dez anos nesta quarta-feira (24).
A iniciativa estimula os pequenos produtores das regiões mais pobres do país, por meio do trabalho em conjunto, com empreendedorismo e cooperativismo, para a valorização dos produtos, da cultura regional e fazer com que cheguem a diferentes estados, regiões e até países. Além disso, o programa contribui para a preservação da natureza com atividades agrícolas de baixo impacto no meio ambiente.
“Quanto mais organizados estiverem os extrativistas, os pescadores, os agricultores, todos aqueles que tenham as atividades produtivas, mais benefícios terão. Isso porque podem comprar melhor o insumo, produzir com mais qualidade e comercializar melhor. Individualmente, fica muito complicado, não há escala para concorrer, tudo acaba ficando mais caro: o tempo, o investimento”, diz o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional. “As Rotas de Integração Nacional buscam exatamente possibilitar essa união e esse ganho coletivo para os produtores do país”, completa.
Criado em 2014, a estratégia estimula também a cooperação entre órgãos federais, estaduais e municipais com os investidores e pequenos produtores de uma determinada atividade produtiva, denominados polos que juntos formam uma Rota. “No começo da implantação das rotas, não havia facilidade na agregação de parceiros para trabalhar conosco. Hoje, as rotas já são conhecidas nacionalmente e conseguimos, por exemplo, envolver o Ministério da Pesca, do Meio Ambiente, da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário, Sebrae, SENAI... cada um apontando a partir de suas expertise, as políticas necessárias para conseguirmos estruturar uma cadeia produtiva”, explica a secretária Nacional de Políticas de Desenvolvimento Regional e Territorial, Adriana Melo.
Poderosa arma
Em 2023, o MIDR investiu cerca de R$ 30 milhões em 68 ações de certificação, assistência técnica, aquisição de insumos e equipamentos, e implantação de agroindústrias, entre outros, beneficiando cerca de 64 mil famílias produtoras de todas as atividades que fazem parte da iniciativa. Os números indicam que as Rotas são uma poderosa arma para a missão do Governo Federal de tirar o Brasil do Mapa da Fome. “O Brasil voltou para o mapa da fome nas gestões anteriores e esse fato demonstra uma enorme desigualdade entre as regiões. Investir em iniciativas como esta, que incentivam a produção e o desenvolvimento de diversos setores, certamente vai contribuir para mudarmos esse cenário, conforme determinado pelo presidente Lula", afirma Waldez Góes.
Atualmente, a Pasta trabalha com 13 Rotas: do Açaí; da Avicultura Caipira; da Biodiversidade; do Cacau; do Cordeiro; da Economia Circular; da Fruticultura; do Leite; da Mandioca; do Mel; Rota da Moda; do Pescado; e da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Duas delas (da Avicultura Caipira e da Mandioca) foram lançadas no ano passado. De acordo com a Secretária Adriana Melo, a estruturação de uma cadeia produtiva leva alguns anos. “Ainda encontramos dificuldades por conta, muitas vezes, da informalidade da produção. Com isso, o produto tem dificuldade de obter a certificação sanitária. Se não obtém, o produto tem dificuldade de ser comercializado e não conseguimos levá-lo para uma agroindústria e promover esse fortalecimento”, explica Adriana Melo.
Fonte: MIDR
Cleusa Gonçalves da Silva casou-se aos 29 anos em sua cidade natal, Taiobeiras, Minas Gerais. Muito tímida e sem qualquer tipo de formação, resolveu apostar na carreira de costureira, mesma ocupação de sua mãe.
Atualmente, aos 48 anos, tornou-se proprietária da marca de lingerie Luiza Gabriele, graças à sua força de vontade, com o apoio do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, o MIDR, por meio do Programa Rotas de Integração Nacional, que completa dez anos nesta quarta-feira, 24 de abril.
A empresária é uma das 95 mulheres da AMIP – Associação Moda Íntima e Praia de Taiobeiras, que fazem parte do Polo de Modas de Taiobeiras e Região, composto pela Rota da Moda. Cerca de 400 empregos diretos são gerados pelas pequenas fábricas da região.
"Comecei a fabricar lingerie com a minha prima, trabalhei um tempo com ela, mas aí veio minha filha e já não estava mais conseguindo ser mãe e atuar na fábrica dela. Aí decidi montar minha própria marca. Hoje, temos 15 meninas trabalhando na fábrica, com oito facções, onde elas fabricam e entregam para nós só etiquetarmos e despacharmos."
Criado em 2014, o Programa Rotas de Integração Nacional estimula a criação de redes de cooperação entre órgãos federais, estaduais e municipais, investidores e pequenos produtores de uma determinada atividade produtiva, denominados polos que, juntos, formam uma Rota.
Por meio das Rotas de Integração Nacional, o MIDR investiu, em 2023, cerca de R$ 30 milhões em 68 ações de certificação, assistência técnica, aquisição de insumos e equipamentos, e implantação de agroindústrias, entre outros, beneficiando cerca de 64 mil famílias produtoras de todas as atividades que fazem parte da iniciativa.
Outro bom exemplo foi a criação do Polo do Pescado das Gerais, em outubro de 2023. O MIDR apoiou a iniciativa da organização popular sediada em Pirapora, Minas Gerais, abrangendo 25 municípios mineiros.
Com o processo de formação em andamento e a busca por parcerias, o MIDR trabalha para o desenvolvimento do Polo por meio da Rota do Pescado.
Kelvin de Jesus Barbosa, 32 anos, é produtor rural em Buritizeiro, Minas Gerais. Com a abundância de peixes na região, resolveu investir na criação. A expectativa do criador de peixes é que o programa traga melhoria na renda da população local.
“Nossas expectativas são sempre elevadas. Queremos aumentar o cultivo, atrair novos colaboradores e estabelecer novas parcerias. Com as Rotas, é possível desenvolver e acreditar que um sonho pode se tornar realidade, porque acho que todos que criam peixes têm amor por isso. Nós, da região ribeirinha, desde pequenos lidamos com peixes, amamos manuseá-los, pescá-los e nos alimentar deles. Assim, isso se torna cada dia mais do que apenas um programa, mas sim uma família em desenvolvimento.”
Atualmente, a Pasta trabalha com treze Rotas: do Açaí; da Avicultura Caipira; da Biodiversidade; do Cacau; do Cordeiro; da Economia Circular; da Fruticultura; do Leite; da Mandioca; do Mel; Rota da Moda; do Pescado; e da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC).
Para saber mais sobre o Programa Rotas de Integração Nacional do MIDR acesse mdr.gov.br.
Reportagem, Marcus Pereira