A grande quantidade de focos do mosquito transmissor da Dengue, Zika e Chikungunya encontrada em Rorainópolis tem deixado o município em situação de risco de surto das doenças nos últimos quatro anos. Os dados são do levantamento do Ministério da Saúde, conhecido como Mapa da Dengue, que também apontou que a maior parte dos criadouros do mosquito no estado de Roraima está em depósitos encontrados no lixo, como recipientes plásticos, garrafas PET, latas, sucatas e entulhos de construção. Segundo o coordenador de Vigilância em Saúde de Rorainópolis, Márvio Duder, o que mais contribui para o aparecimento do vetor são os terrenos baldios. O coordenador também alerta para que a população esteja mais atenta à limpeza de suas residências, para evitar que os focos apareçam.
“Na sede do município, nós temos 1.326 terrenos baldios. Só no centro a gente tem quase 98 terrenos abandonados. Nós temos também um rio pequeno, que corta a cidade toda, e de um lado e do outro da margem do rio é completamente encharcado e cheio de mato, e também a população, por ser uma população que tem muito vínculo com a questão do ruralismo, ela não contribui muito na questão da limpeza dos terrenos. A gente encontra muito, nas visitas domiciliares, terrenos que não são limpos, que apresentam focos de criadouros, caixa d’água, balde, pneu. Eles não têm essa preocupação de estar limpando, então isso preocupa muito a gente.”
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, em 2017, a doença mais presente entre os moradores foi a Chikungunya, que teve 337 notificações e 107 casos confirmados. De Dengue, houve 156 notificações e apenas duas confirmações. Nenhum caso suspeito de Zika foi registrado. Franciene Moreira, 37 anos, casada, sem filhos, está sofrendo pela segunda vez por conta das doenças transmitidas pelo mosquito. Teve Dengue há nove anos e sofreu com a febre e as dores de cabeça e no corpo, sintomas característicos da doença. Há quatro meses, ela descobriu que estava com Chikungunya e conta que até hoje sente dores nas articulações.
“A Dengue não maltrata tanto quanto a Chikungunya, não. A Chikungunya só ataca as juntas. É dor que não dá pra suportar. Todo dia é dor num lugar diferente. E você perde as forças. O tornozelo incha, o ombro. Às vezes, ameniza quando tomo a medicação, mas, logo depois, já vêm com as dores de novo. É dor que não passa.”
Faça parte dessa luta contra o mosquito você também. Verifique sempre e não deixe água parada em caixas d’água, pneus, baldes. Lembre-se: um mosquito pode prejudicar uma vida. E o combate começa por você. Para mais informações sobre o assunto, acesse: saude.gov.br/combateaedes.