Por Sara Rodrigues
de criança, o sonho de Joaquim Lago sempre foi trabalhar com veículos. Aos 19 anos, com o Ensino Médio concluído, o jovem decidiu se inscrever no processo seletivo para o curso de mecânico de automóveis no SENAI de Roraima. Esse foi o primeiro passo para que o sonho de infância se tornasse realidade. Joaquim foi aprovado e iniciou o curso. “Fiquei lá um ano e dois meses, se não me engano, e quando sai fui atrás de emprego na área. Hoje, estou na área de mecânica. Consegui um emprego na área que eu queria, e estou muito feliz onde estou trabalhando”, conta.
Joaquim já estava realizado com um curso técnico, mas queria ter mais conhecimento e contar experiências no currículo. Foi aí que ele fez o segundo curso: além de mecânico de automóveis, ele também é eletricista industrial. Assim, ele acredita que pode ter ainda mais portas abertas no mercado de trabalho. “Se não tivesse esses cursos, seria muito mais difícil conseguir um emprego”, afirma.
Para esse desabafo de Joaquim, a professora da Universidade de Brasília (UnB), Débora Barem, tem uma resposta. Ela explica que o Brasil ainda não oferece uma Educação Básica completa e que permite ao jovem boas oportunidades no mercado de trabalho. Em Roraima, por exemplo, a média do último resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) foi de 3,60. No entanto, a projeção ideal era 4,0.
“Nós temos alguns problemas na educação de base de uma forma geral, não temos incentivos para que as crianças consigam digerir a matéria, o que é ciência, entender que não são coisas fora de nós. Se buscarmos todas essas questões em relação à ciência e tecnologia, vamos viabilizar novos entendimentos”, explica Barem.
Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) comprova isso. As lacunas deixadas pela Educação Básica, que são compreendidas como ensino Fundamental e Médio, agravam as dificuldades do país se desenvolver nos âmbitos econômicos e sociais. Assim, as propostas para o Ensino Técnico são de melhorar e assegurar o futuro dos jovens no mercado de trabalho. Uma prova disso, é que no estado de Roraima, a indústria gera cerca de 8 mil empregos.
“Precisamos fazer um grande esforço se queremos ajudar a agenda de inclusão social para o jovem brasileiro melhorar a produtividade do trabalho, para melhorar a possibilidade dos jovens se inserirem no mercado de trabalho, construírem seus projetos individuais e certamente gerar mais riqueza, bem-estar, competitividade para as empresas e para o país”, afirma Rafael Lucchesi, diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi.
Indústria 4.0
O nome de batismo faz referência à 4ª Revolução Industrial. Desde 2010, a Indústria 4.0 tem sido observada como avanço nas tecnologias contemporâneas. Entre as ferramentas mais recentes existe, por exemplo, a rastreabilidade – que é a possibilidade de decifrar qual é o ciclo de vida de determinado produto, desde a criação até o descarte.
Além disso, foram criadas outras ferramentas, como a visão artificial e a cloud computing, que é uma nuvem online utilizada como armazenamento de dados e arquivos. Todas essas ferramentas têm como objetivo aumentar o ganho de produção, apresentar transparência nos negócios, aumentar a segurança e reduzir os erros. Além de promover a conservação ambiental e o aumento da qualidade de vida.
Setores da indústria mais populares
Em Roraima, os setores que mais demandam mão de obra para o mercado de trabalho são construção civil, responsável por 66,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado, e também o setor de serviços industriais de utilidade pública, responsável por 15,8%. Além do setor alimentício, que tem participação de 5,7% no PIB estadual.
A gerente educacional do SENAI em Roraima, Jamile Vasconcelos, explica que entre os inscritos nos cursos do SENAI, a maior procura tem sido para os cursos voltado para o setor de alimentos. “A gente tem visto muitas pessoas abrindo seu próprio negócio e fazendo muito produtos voltados para essa área mais fitness. É uma procura que a gente identifica que aumentou bastante.”