Em Rondônia, a cada 100 mil moradores, 33 têm Tuberculose. Ou seja, como o estado tem um milhão 749 mil habitantes, podemos dizer que pelo menos 570 mil estão infectados. Bastante, não? Mas o mais assustador não é o diagnóstico, porque essa doença tem cura. O mais grave é o abandono do tratamento. De acordo com o Ministério da Saúde, a taxa de abandono rondoniense é 15,7%. O recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de, no máximo, 5%. A enfermeira especialista em Pneumologia da Tuberculose e coordenadora estadual interina do Controle de Tuberculose, Clenice Gomes de Sousa, atribui o alto índice aos costumes da população.
“A gente faz um baita de um trabalho pra não ocorrer o abandono, mas a cultura do povo de quando tem sinais de melhora e não comparecer mais é um caso sério. Por exemplo, as doses de ataque, ele já fica parecendo que tá curado, se recuperando bem, aí já se alimenta bem, aquelas dores, aquelas coisas já passa, ele simplesmente não comparece mais. E inclusive, a casos, ele nem aparece mais e vai a óbito. Por isso que a gente tenta o máximo possível fazer o Tratamento Diretamente Observado. Inclusive nesse ano a gente vai fazer mais capacitação em relação a isso pra ver se a gente muda essa quadro. Por exemplo, nos dois primeiros meses – que são as doses de ataque – ele já fica parecendo que tá curado, se recuperando bem. Aí já se alimenta bem, e simplesmente não aparece mais. Inclusive, há casos que ele não aparece mais, de jeito nenhum, e vai a óbito.”
Dos quatrocentos e quatro casos de Tuberculose Pulmonar contabilizados no último balanço, 73 pessoas – ou seja, 18% - abandonaram o tratamento. Vale lembrar que os maiores números de casos de Tuberculose Pulmonar estão nas regiões de Porto Velho, Arniqueiras do Paraná, Guajará-Mirim, Cocal e Vilhena. Só a capital acumula 60% dos casos de Tuberculose de Rondônia. Segundo a coordenadoria estadual do Controle de Tuberculose, a concentração dos mais de dez presídios na cidade contribui para a alta taxa. Dados da OMS apontam que pessoas privadas de liberdade têm 28 vezes mais chances de contrair a doença. A coordenadora do Programa de Controle à Tuberculose do Ministério da Saúde, Denise Arakaki, explica a razão e aponta outros grupos que estão mais propensos à infecção.
“Ambientes aglomerados, com pouca ventilação, com pouca radiação solar, ambientes onde há um número excessivo de pessoas compartilhando o mesmo espaço. Esses ambientes podem propiciar a proliferação do bacilo e a contaminação dessas pessoas. Além disso, algumas pessoas podem ter condições físicas que propiciem o desenvolvimento da Tuberculose, essas condições são condições que diminuem a capacidade imunológica, por exemplo: pessoas vivendo com HIV, pessoas com diabetes e pessoas que utilizam drogas imunossupressoras, por exemplo, pessoas com doenças autoimunes.”
Se você é morador de Porto Velho, Arniqueiras do Paraná, Guajará-Mirim, Cocal e Vilhena, precisa ficar ainda mais atento aos sintomas da Tuberculose: tosse há mais de três semanas, febre fraca no final da tarde e perda de peso sem explicação. Se cuide, procure uma unidade de saúde, faça o diagnóstico. Ajude a deixar essa história no passado. Para mais informações, acesse saude.gov.br.
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