Por Marquezan Araújo
Além do uso racional da água, outro tema bastante abordado nos últimos dias foi o acesso da população ao saneamento básico. Com a atenção dada à questão depois do 8º Fórum Mundial da Água, sediado em Brasília, o governo federal anunciou R$ 2 bilhões em financiamento para obras de saneamento em sete estados. Ao todo, 76 municípios serão beneficiados. O dinheiro, segundo o Ministério das Cidades, poderá ser aplicado em 86 contratos com companhias de saneamento, tanto estaduais como municipais.
Um dos estados beneficiados é o Rio Grande do Sul. A senadora Ana Amélia (PP-RS), que defende tanto a boa gestão dos recursos hídricos como o investimento em saneamento básico, afirma que a saúde da população do estado depende de políticas públicas voltadas para essas áreas. “Quando você não tem saneamento, você não tem água tratada, você não tem lixo tratado e você não tem esgoto tratado. Então, você precisa ter uma política adequada para preservar a saúde da população”, disse.
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A especialista de políticas em indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ilana Ferreira, afirma que, em alguns casos, o serviço de saneamento oferecido é de baixa qualidade. De acordo com ela, investir em redes de esgoto de qualidade representa economia em outras áreas da gestão pública. “A falta de esgoto significa rio sujo. Quando um gestor público entender que, se ele investe um real em saneamento, ele vai economizar quatro reais em um posto de saúde, ele vai ver que é muito mais inteligente investir em uma companhia de saneamento”, comparou.
Dados do Instituto Trata Brasil indicam que, além dos investimentos, a conscientização da população é fundamental para manter uma estrutura de saneamento adequada. De acordo com a organização, “mais de 3,5 milhões de brasileiros, nas 100 maiores cidades do país, despejam esgoto irregularmente, mesmo tendo redes coletoras disponíveis”.