Cultura - Música·18 de setembro de 2026

Repente: tradição de versos improvisados é Patrimônio Cultural do Brasil

Acervo Bem Brasileiro inclui vídeos, documentos e fotos e apresenta informações sobre o registro e a preservação da manifestação cultural.

Por Redação Brasil 61
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Foto: José Cruz/Agência Brasil
Foto: José Cruz/Agência Brasil·Foto: Brasil 61

A rima e o improviso são as marcas do Repente, manifestação popular que faz parte da identidade da região Nordeste. No diálogo poético, dois artistas se revezam cantando estrofes improvisadas sobre situações do dia a dia. 

Devido a sua importância cultural e social, o bem imaterial foi registrado como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em novembro de 2021.  

O reconhecimento valoriza o trabalho de cantadores, produtores e apreciadores dessa tradição, presente atualmente em diferentes regiões do país.

Com a conquista, o Repente passou a figurar no Livro de Registro das Formas de Expressão, no qual também estão a Roda de Capoeira e Choro. O título possibilita a adoção de ações e políticas públicas voltadas à salvaguarda da expressão cultural.

O pedido de registro foi apresentado ao Iphan em 2013 pela Associação dos Cantadores Repentistas e Escritores Populares do Distrito Federal (Acrespo). A partir daí, o Instituto iniciou o processo de pesquisa e documentação da manifestação.

O trabalho resultou em um dossiê técnico elaborado em parceria com a Universidade de Brasília (UnB). O estudo reuniu informações sobre a história, as características e a importância cultural do Repente.

Cantorias

As apresentações de repentistas costumam ser feitas em espaços como casas, feiras, praças públicas e grandes festivais. Nelas, dois poetas, acompanhados de violas, improvisam estrofes alternadas, a partir de temas sugeridos pelo público ou instigados por eles próprios.  Cada cantador é desafiado a criar versos inéditos, que encantam pela rapidez do raciocínio e pela riqueza de conteúdo. 

O Repente é composto por três elementos fundamentais: a métrica precisa dos versos, a qualidade das rimas e o sentido das mensagens transmitidas pelos poetas. A habilidade para o improviso, que surpreende os ouvintes pela espontaneidade, é considerada como um dom.

A expressão cultural mantém vínculos históricos com as narrativas orais e encontra-se em estreita relação com outras poéticas vocais, como a literatura de cordel.

História

Há registros da prática do Repente desde meados do século 19 em Pernambuco e na Paraíba. As mais antigas têm origem na Serra do Teixeira (PB). No início do século 20, a manifestação cultural contribuiu para a difusão do rádio na região. Na época, a maior parte dos repentistas tinha origem rural, vivendo no interior e cantando para plateias camponesas.

A partir da década de 1950, os cantadores passaram a residir nas cidades em busca de meios de divulgação de seu trabalho, entre eles o rádio e o correio.

Nos anos 1980 e 1990 vieram as gravações de discos e a realização de festivais. Com a evolução tecnológica, a internet se tornou mais uma ferramenta para divulgação de cantorias e eventos voltados ao Repente.

Plataforma

Com um acervo de mais de 2 mil itens, entre vídeos, documentos e fotos, a plataforma digital Bem Brasileiro, do Iphan, reúne os bens registrados como Patrimônio Cultural do Brasil ao longo dos últimos 25 anos.   

O site reúne desde pedidos de registro e pareceres técnicos até ações de monitoramento e salvaguarda realizadas pelo Instituto. Também disponibiliza parte do acervo separando materiais por cada estado da federação.

O Repente é uma manifestação cultural representativa da região Nordeste. A tradição tem como marcas a rima e o improviso.

Nas cantorias, dois poetas se revezam na criação dos versos. Os temas podem ser sugeridos pelo público ou pelos próprios artistas.

As apresentações acontecem em casas, feiras, praças e festivais. Os cantadores costumam se apresentar acompanhados de violas.

A prática reúne três elementos fundamentais. São eles: a métrica dos versos, a qualidade das rimas e o sentido das mensagens.

O Repente também mantém vínculos com as narrativas orais. A expressão possui uma relação próxima com a literatura de cordel.

Os primeiros registros da prática são de meados do século dezenove. Eles foram identificados em Pernambuco e na Paraíba.

As manifestações mais antigas têm origem na Serra do Teixeira, na Paraíba.

Ao longo do tempo, o rádio, os discos e os festivais ajudaram a divulgar as cantorias. Mais recentemente, a internet ampliou o alcance da tradição.

O Repente foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil em dois mil e vinte e um. O registro foi concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan.

A manifestação passou a integrar o Livro de Registro das Formas de Expressão. O reconhecimento permite a criação de ações voltadas à preservação dessa tradição.

A plataforma digital Bem Brasileiro reúne informações sobre o Repente e outros bens culturais registrados.

O acervo possui mais de dois mil vídeos, documentos e fotografias.

Para mais informações, acesse a plataforma Bem Brasileiro: https://bcr.iphan.gov.br.

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