Economia - Receita Federal·25 de setembro de 2026

Receita investiga mais de R$ 160 milhões em créditos inexistentes usados por municípios

Operação Compensação investiga consultores suspeitos de usar créditos previdenciários inexistentes em nome de 14 municípios de Sergipe e um de Alagoas; entenda como funciona o mecanismo de compensação usado por prefeituras

Por Sophia Maria Duarte Muniz
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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil·Foto: Brasil 61

A Receita Federal, a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) deflagraram nesta quarta-feira (23) a Operação Compensação, para aprofundar as investigações sobre consultores suspeitos de estruturar e operacionalizar declarações de compensação previdenciária com créditos considerados inexistentes.

Segundo a Receita Federal, as compensações sob análise superam R$ 160 milhões e foram apresentadas em nome de 14 municípios de Sergipe e de um município de Alagoas. Desse total, cerca de R$ 50 milhões correspondem a contribuições previdenciárias que teriam sido descontadas da remuneração de servidores públicos municipais, mas não repassadas à Previdência Social.

De acordo com os órgãos, a apuração começou depois da identificação de indícios de irregularidades em declarações apresentadas em nome de um único município sergipano. A análise foi ampliada ao identificar características semelhantes em outras prefeituras do estado e em uma cidade alagoana. Foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em Aracaju e em Barra dos Coqueiros (SE), com participação de policiais federais e servidores da Receita Federal.

Até a publicação desta matéria, a Receita Federal, a PF e o MPF não haviam divulgado os nomes dos municípios, dos consultores ou de outras pessoas eventualmente envolvidas na investigação.

Como funciona a compensação usada por municípios

A compensação tributária é um mecanismo legal que permite a um contribuinte, no caso, um município, quitar um débito com a Receita Federal usando um crédito que ele tem a receber do próprio órgão, em vez de pagar o débito em dinheiro. Esse crédito pode ter origem, por exemplo, em pagamentos feitos a mais no passado ou em decisões judiciais favoráveis ao contribuinte.

Na prática, o município transmite à Receita Federal uma Declaração de Compensação (DComp), informando qual crédito pretende usar para quitar determinado débito, como contribuições previdenciárias devidas ao INSS. Uma vez transmitida, a declaração já produz o efeito de extinguir o débito, sob a condição de que a Receita, posteriormente, confirme que o crédito informado realmente existe.

É justamente nessa validação posterior onde ocorre o risco apurado pela Operação Compensação: segundo as investigações, os créditos usados pelos municípios teriam sido considerados inexistentes após análise fiscal, o que significa que os débitos que deveriam ter sido pagos, na prática, nunca foram efetivamente quitados.

Consequências para os municípios e possíveis crimes

Segundo as apurações, os investigados teriam oferecido serviços de consultoria tributária a prefeituras e a outras entidades da administração pública municipal, orientando ou operacionalizando o uso de créditos que a análise da Receita considerou inexistentes.

Se as compensações forem definitivamente consideradas indevidas, os municípios envolvidos podem ter de recolher os tributos que deixaram de ser pagos com os encargos previstos em lei, o que representa um risco adicional às finanças municipais. Os órgãos informam que os fatos apurados podem configurar crimes como estelionato contra a administração pública, organização criminosa, falsidade documental, uso de documento falso, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro, sem prejuízo de outras infrações que venham a ser identificadas ao longo da investigação.

A operação está na fase de coleta de provas. Até o momento, não foi esclarecido se gestores municipais figuram como investigados, como vítimas da atuação dos consultores ou como participantes conscientes do esquema. A análise dos documentos e equipamentos apreendidos deve ajudar a esclarecer a extensão das operações, a destinação dos recursos e a responsabilidade individual de cada envolvido.

A Receita Federal, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram a Operação Compensação, para investigar consultores suspeitos de usar créditos previdenciários inexistentes em nome de municípios. As compensações analisadas superam 160 milhões de reais e envolvem 14 municípios de Sergipe e um de Alagoas.

Segundo os órgãos, cerca de 50 milhões de reais desse total correspondem a contribuições previdenciárias que teriam sido descontadas da remuneração de servidores municipais, mas não repassadas à Previdência Social. Três mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Aracaju e Barra dos Coqueiros, em Sergipe.

Mas, afinal, como funciona a compensação usada pelos municípios? O processo é um mecanismo legal que permite a uma prefeitura quitar um débito com a Receita Federal usando um crédito que tem a receber do próprio órgão, sem precisar pagar em dinheiro. O problema apurado pela operação é que, segundo as investigações, os créditos usados por esses municípios foram considerados inexistentes depois da análise fiscal, o que significa que os débitos, na prática, nunca teriam sido quitados de verdade.

Se as compensações forem consideradas indevidas, os municípios podem ter que pagar os tributos que deixaram de ser recolhidos, com juros e multa. Os fatos investigados também podem configurar crimes como estelionato contra a administração pública, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Até agora, os órgãos não divulgaram os nomes dos municípios nem dos consultores investigados.

Reportagem, Sophia Muniz.

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