A discussão sobre a reforma da Previdência deve ser retomada no Congresso Nacional nesta terça-feira (20). Para acertar detalhes sobre os trabalhos de conquista de votos de parlamentares indecisos, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, se reuniu com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), nesta quinta-feira (15).
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Confiante de que o texto será votado ainda em fevereiro, Marun afirma que as mudanças nas regras para aposentadorias não podem mais ser adiadas. Segundo o articulador do governo, quanto mais se espera, mais precária fica a situação previdenciária do país.
“Quem faz uma análise mais lúcida, começa a achar que jogar para depois seja mau negócio. Uma coisa é você conseguir fazer hoje, enquanto nós estamos conseguindo pagar a Previdência.No momento de uma eventual queda, no momento em que essa reforma tiver que ser feita por algum presidente que, durante a eleição, mentiu que ela não era necessária, talvez as consequências sejam piores.”
Ainda de acordo com o ministro, a matéria só é criticada por pessoas “que têm interesses próprios na manutenção das regras previdenciárias atuais”.
Um possível adiamento da votação da reforma da Previdência também é criticado pelo economista Otto Nogami. Para o especialista, as despesas existentes só aumentam ao longo do tempo, comprometendo cada vez mais o sistema e, consequentemente, outras áreas importantes para a população.
“À medida que isso não é feito e é deixado num segundo plano, lógico que, com o passar do tempo, o problema tende somente a se agravar. Infelizmente, chegamos a um momento de crise, de recessão onde o aspecto arrecadatório do governo despenca. Então, assustadoramente, quando a gente pega os dados com relação a 2017, o pagamento de benefícios chega a 48% da receita líquida do governo. É um aspecto que vunerabiliza as contas do governo, imaginando quase 50% indo só para o pagamento de aposentadoria.”
Como 2018 é ano de eleição, a intenção do governo é que a votação do texto ocorra até o dia 28 deste mês. Membros da base aliada do presidente Michel Temer acreditam que 270 deputados já garantiram apoio à reforma. Para a matéria avançar e ser analisada no Senado, são necessários 308 votos favoráveis na Câmara.
Segundo a Secretaria da Previdência do Ministério da Fazenda, o rombo no sistema passou de R$ 268 bilhões em 2017. Ainda de acordo com o balanço, o déficit pode alcançar a marca de R$ 192,84 bilhões este ano.
Reportagem, Marquezan Araújo
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