Meio Ambiente·15 de março de 2018

RÁDIO: Processo de irrigação é fundamental para qualidade de produtos agropecuários

<p>Para especialista, mais projetos de irriga&ccedil;&atilde;o reduziriam as &aacute;reas de plantio e preservariam o meio ambiente</p>

Por Agência do Rádio
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A irrigação é uma prática adotada para complementar o déficit total ou parcial da água utilizada em vários tipos de plantações. No Brasil, por exemplo, a irrigação é fundamental para a produção de grãos como arroz, café e soja, além de frutas como laranja e mamão.

Informações que constam no site da Agência Nacional de Águas (ANA) indicam que a agricultura irrigada é o tipo de uso que mais consome água. Além disso, a agência informa que o Brasil possui uma das maiores áreas irrigadas do mundo, mesmo utilizando apenas uma pequena parcela do seu potencial para a atividade. Entre 1960 e 2015, a área irrigada no Brasil passou de 462 mil hectares para 6,95 milhões de hectares. Até 2030, esse espaço pode expandir mais 45%.

Porém, especialistas fazem um alerta: apontar o setor agropecuário como o principal responsável pelo desperdício de água é um erro. O pesquisador na área de recursos hídricos e irrigação da Embrapa Cerrado, Lineu Rodrigues, explica que, sem a irrigação necessária, os preços dos alimentos podem subir e a aplicação de agrotóxicos pode aumentar. O resultado disso seria a queda na qualidade dos alimentos. Segundo o especialista, as informações precisam ser analisadas e disseminadas com cuidado, para que não haja distorções sobre o uso da água no setor.

“Nós temos que pensar em dois tipos de agricultura, que é a de sequeiro, que usa água da chuva, e a agricultura irrigada, que extrai dos rios. Essa tem que ser contabilizada. Então quando a ANA apresenta que a agricultura representa 70% dos usos, isso tem que ser analisado com muita cautela. Todos os usos são importantes e desde que a água seja legal, não tem problema quanto quem está utilizando um pouco mais ou um pouco menos.”

O diretor executivo da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF), Rodrigo Marques, explica que apenas uma pequena parcela da água usada em irrigações permanecem nos alimentos e o restante volta para o ciclo natural.

“O que não é utilizado pela planta vai voltar pelo lençol freático, pela infiltração, ou pela transpiração. Então essa água não é desperdiçada. O que vai gerar a chuva? A transpiração vai gerar as nuvens e voltar para o ciclo produtivo”.

De 18 a 23 de março, o Brasil receberá o Fórum Mundial da Água. O evento é um dos maiores do planeta e será sediado em Brasília. O secretário de Agricultura do Distrito Federal, Argileu Martins, acredita que essa é uma chance de mostrar aos representantes internacionais projetos que unem a produção agropecuária do Brasil e a preservação de mananciais utilizados nos processos de irrigação.

“Eu vejo como uma oportunidade de nós mostrarmos para o mundo que temos a agropecuária que mais preserva no planeta. Nós temos aqui um conjunto de programas que atuam no manejo da água do solo que, não só preservam o solo, mas permite a recarga dos nossos lençóis”.

Pela primeira vez, em sua oitava edição, o Fórum Mundial da Água terá um país do hemisfério Sul como anfitrião. O evento é organizado pelo Conselho Mundial da Água.

Com a colaboração de Marquezan Araújo, reportagem Tácido Rodrigues

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