A quantidade de idosos que recebem aposentadorias ou pensões quase dobrou em 23 anos, no Pará. De acordo com dados do PNAD/IBGE, em 1992, a taxa de beneficiários era de 5,4%. Em 2015 esse número chegou a 9,0%. Só em 2016, o estado emitiu mais de 871 mil registros no Regime Geral de Previdência Social (RGPS).
Para o especialista em finanças, Marcos Melo, essa tendência é notada em todo o país e, se alguma medida não for adotada, a Previdência não terá condições de se manter.
“É muito importante observar a tendência desses números. Se continuar como está, o gasto com Previdência no Brasil deverá absorver uma proporção muito grande. Da forma como o sistema da Previdência está montada hoje, de fato, não é sustentável a longo prazo.”
Na visão de alguns especialistas, o crescimento na taxa de benefícios também é reflexo do aumento da expectativa de vida percebido ao longo do tempo. Por esse motivo, o economista Newton Marques acredita que o país precisa ter novas regras para aposentadoria.
“Toda vez que tem um aumento na esperança de vida da população, o sistema de Previdência tem que ser revisto, porque foi com base em uma esperança de vida bem menor. E eu acho que é essa luz de comparação que tem que ser feita.”
Por não conseguir votar a reforma da Previdência este ano, o governo Federal já trabalha com a possibilidade de a matéria ser posta em pauta em fevereiro de 2018.
Até lá, a equipe do presidente Michel Temer deve trabalhar para conquistar apoio de partidos e parlamentares indecisos. Durante o recesso, o governo pretende apresentar uma nova redação da reforma, que altere a última proposta que trata dos regimes de Previdência dos servidores públicos.
Reportagem, Marquezan Araújo