O Brasil precisa ampliar o debate sobre a necessidade de adotar boas práticas na gestão dos recursos hídricos. A avaliação é do senador Jorge Viana (PT-AC). O político coordenou a Conferência Parlamentar durante o 8º Fórum Mundial da Água, realizado em março, em Brasília.
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“Nós temos que trabalhar essa coisa de otimizar a água, porque no Brasil de cada 100 litros de água tratada, apenas 67 chegam as casas das pessoas. 33 litros são desperdiçados”.
Na maior parte das vezes, essas perdas são ocasionadas por vazamentos, ligações irregulares, falta de medição ou medição incorreta e roubos. Mas o problema não para por aí.
Segundo dados do Instituto Trata Brasil, o brasileiro consome, em média, 166,3 litros de água por habitante ao dia. O que fica 51% acima do recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU). A entidade considera que 110 litros por habitante ao dia são suficientes para suprir as necessidades básicas de uma pessoa.
De acordo com Viana, os números não deixam dúvidas. O Brasil precisa aumentar a fiscalização e promover, com mais frequência, campanhas sobre o consumo responsável da água.
Entre as possíveis medidas, o senador sugere que o Estado firme parcerias com o setor produtivo. Segundo ele, uma das saídas pode estar no oferecimento de “políticas que estimulem” a redução no consumo.
“A indústria tem tecnologia, pode ser uma grande parceira nesse aspecto. A mesma coisa na agricultura. Então, se todo mundo ajudar, a água vai chegar para quem precisa. Não vai faltar para que usa e ainda vamos ter condição de fazer o saneamento básico”.
De acordo com a pesquisa Contas Econômicas Ambientais da Água (Ceaa), divulgada em março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as atividades econômicas que apresentam maior consumo de água são agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (77,6%). Em seguida, aparecem indústrias de transformação e construção (11,3%) e água e esgoto (7,4%). As informações do IBGE são referentes ao ano de 2015.
Reportagem, João Paulo Machado