O desastre ocasionado pelo rompimento da barragem de resíduos de minério na cidade de Brumadinho (MG), coloca a atividade de mineração no centro do debate público nacional. Este é o segundo acidente envolvendo barragens por aterro hidráulico em menos de três anos no país. Em 2015, o rompimento da Barragem de fundão, na também mineira, Mariana, causou estragos humanos e ambientais que são sentidos até hoje.
Mestre em Gerenciamento de Riscos pela universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o economista Gustavo Cunha Mello explica que as barragens hidráulicas são as estruturas mais baratas para a atividade mineradora. O especialista, ressalta, porém, que todas as estruturas oferecem risco e algum tipo de poluição. Por isso, Gustavo enfatiza a necessidade da realização de manutenções cotidianas e rigorosas.
O especialista falou com exclusividade à Agência do Rádio Mais.
“Todo tipo de sistema de mineração pode causar algum dano à natureza. O problema não está no fato da barragem ser hidráulica, ou não. O problema está na gestão dessa barragem, em como fazemos para não termos mais acidentes como vimos em Brumadinho e em Mariana.”
Gustavo Cunha critica o discurso de quem prega a possibilidade de se impedir a construção de novas barragens, uma vez que isso poderia sobrecarregar o trabalho das estruturas já existentes.
O especialista relembra que em casos de desastres como os de Mariana e Brumadinho, os engenheiros são sempre punidos. E de fato. Nesta semana, dois engenheiros de uma empresa contratada pela Vale foram presos temporariamente por 30 dias para prestar esclarecimentos sobre o desastre.
No entanto, Gustavo crítica que a legislação não é tão punitiva com as empresas envolvidas. Uma mudança neste fator poderia evitar problemas futuros.
“No momento que você cria uma exigência para os presidentes e os diretores dessas empresas, para que eles sejam corresponsáveis, eles próprios tomarão mais cuidado”.
Gustavo Cunha ressalta ainda a importância da atividade mineradora para Brasil e para o estado de Minas Gerais, que carrega a riqueza do minério no próprio nome.
“A importância da mineração para o Brasil é imensa. Gera muitos empregos, só a Vale gera mais de dois milhões de empregos diretos e indiretos, é muita gente. Todas as outras mineradoras também geram muitos empregos. O Brasil é um exportador de commodities, não só agrícolas, mas mineração também. O estado de Minas Gerais carrega a mineração no nome. Então precisamos da mineração, sim.”
O especialista também destaca que o Governo Federal precisa tirar lições de desastres como os de Brumadinho e Mariana. Ele aponta, entre outras coisas, para a importância de se incentivar o reaproveitamento dos resíduos em materiais de construção.
Reportagem, Raphael Costa