Por João Paulo Machado e Aline Dias
Com a chegada do novo governo ao Palácio do Planalto, os últimos dias do Legislativo em 2018 foram de discussões sobre os rumos da futura gestão.
No último dia de trabalho na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, por exemplo, o assunto que tomou conta do debate entre os parlamentares foi a promessa do futuro ministro da economia, Paulo Guedes, de dar uma “facada” nos recursos do Sistema S.
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Formado por entidades comoSesc, Sesi e Senai, o Sistema S. é responsável por diversos programas de educação técnica e serviços de saúde.
Preocupado com o possível corte de recursos, o senador Armando Monteiro (PTB-PE) ressalta que é necessário ter cautela ao debater sobre o assunto, já que o sistema tem sido fundamental para a capacitação de mão de obra e, consequentemente, para a produtividade e competitividade nas indústrias.
“O que se propõe é uma discussão serena, no fórum adequado para se discutir a relação custo/benefício do Sistema S. Porque é uma estrutura que funciona há décadas, que tem foco, os programas são continuados. Daí os resultados que foram obtidos”, destacou o senador.
Para se ter uma ideia, somente em Pernambuco, o impacto de uma “facada” de 30% no SESI, como a sugerida por Paulo Guedes, faria com que 3,2 mil alunos deixassem de estudar no ensino básico ou na educação de jovens e adultos. Cinco escolas fechariam as portas e 92,5 mil atendimentos médicos, odontológicos e ocupacionais deixariam de ser feitos.
Diretor-geral do SENAI e Diretor-Superintendente do SESI, Rafael Lucchesi afirma que o possível corte de recursos para o financiamento das entidades causaria efeitos devastadores à sociedade brasileira. “Se for colocada em prática, nós vamos estar fechando mais de 300 escolas. Mais de um milhão e meio de jovens e trabalhadores deixarão de ser atendidos todos os anos. Mais de 18 mil professores serão demitidos”, explicou.
Responsável pelos programas de saúde e segurança do trabalhador na indústria, o Serviço Social da Indústria (SESI) também tem uma rede de escolas de que beneficia 1,2 milhão de jovens com educação básica, principalmente de famílias de trabalhadores da indústria.
O SESI calcula que os cortes levariam ao fechamento de 155 escolas, com perda de quase meio milhão de vagas para jovens no ensino básico e no reforço educacional de adultos com baixa escolaridade. Na prestação de serviços de saúde a trabalhadores, que inclui desde a oferta gratuita de vacinas e exames de mamografia para trabalhadoras, a previsão é de que 1,2 milhão de pessoas ficariam sem o atendimento, tendo de buscar os serviços na rede pública ou custeá-los na rede particular.