A expectativa de vida do brasileiro ao nascer aumentou entre 2015 e 2016, passando de 75,5 para 75,8 anos. No Piauí, a tendência se repetiu. No mesmo período, a população do estado passou a viver mais, de 70,9 para 71,1 anos. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
À medida que a quantidade de idosos (60 anos ou mais) cresce, a taxa de fecundidade, que é o número de filhos que uma mulher tem durante toda a vida, diminuiu. Em 1960, por exemplo, uma mulher tinha cerca de 6,3 filhos. Atualmente esse número caiu para 1.9.
Para o pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (IBRE – FGV) Bruno Ottoni, esse é um fator que não pode ser desconsiderado, principalmente quando o assunto é aposentadoria. Na avaliação do especialista, da forma como funciona o sistema previdenciário atualmente, esse tipo de benefício pode se tornar insustentável no futuro.
“À medida que o país for envelhecendo, a tendência é que a situação se torne calamitosa. Realmente, o Governo Federal vai ter muita dificuldade em fechar suas contas.”
A preocupação de Bruno Ottoni tem uma explicação. É que, no Brasil, o sistema previdenciário é sustentado por dinheiro vindo de contribuintes em atividade no mercado de trabalho. Isso significa que, com o aumento da população idosa e a redução do número de nascimentos, haverá mais pessoas recebendo o benefício, por mais tempo, e menos contribuintes para pagar as aposentadorias.
Na tentativa de aprovar a reforma da Previdência ainda este ano, o governo Federal propôs um novo texto, mais enxuto. Entre os principais pontos está a equiparação dos regimes de previdência dos servidores públicos aos do INSS. Isso, na avaliação do coordenador de Previdência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Rogério Nagamine, deixa o sistema mais igualitário.
“Você tem um diferença de valor de benefício gigantesca. É exatamente por isso que é importante que passe uma proposta do governo que obrigue a todos os regimes de previdência dos servidores públicos a ter o mesmo teto do INSS.”
A proposta inicial do governo pretendia incluir também as aposentadorias rurais e o Benefício da Prestação Continuada (BPC). Porém, como se tratavam de temas polêmicos, as regras para adquirir esses benefícios permaneceram como estavam.
Reportagem, Marquezan Araújo