Saúde·09 de agosto de 2018

Pausa para Saúde: Doença Celíaca

Por Agência do Rádio
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E aí? Como vai você que apertou o play para dar uma Pausa para Saúde. Esse é seu momento da semana para aprender um pouco mais de assuntos ligados ao nosso bem-estar e vida saudável. Provavelmente você já leu em algum rótulo de alimento o aviso “contém glúten”. E sabe por que ele está ali? Bom, eu Aline do Valle estou com meu colega Pedro Paulo Souza e convidados muito especiais para responder esta e outras perguntas. Aumente o som e venha com a gente!

E aí, Pedro? Você já leu em algum lugar a frase contém glúten?

Pois é, Aline. Eu não tenho o hábito de ler os rótulos dos alimentos, mas já me deparei com essa frase e também com a negativa dela, ou seja, não contem glúten. E hoje a gente descobriu – bom pelo menos eu descobri – que esse é um aviso muito importante. Porque para as pessoas com doença celíaca o glúten é extremamente perigoso e deve ficar longe da dieta. E a gente convidou a gastropediatra Dayse Oliveira para explicar melhor o que é essa doença. Doutora Dayse, é com você.

“A doença celíaca poderia ser classificada como uma reação imunológica que algumas pessoas têm – somente as pessoas que tem a tendência genética para desenvolver doença celíaca. E elas apresentam esse problema após iniciar o consumo de alguns cereais. Especialmente os cerais que contém o glúten. Essas pessoas vão desenvolver alguns sintomas, alguns problemas”.

A doença celíaca tem diferentes classificações. Para facilitar nossa compreensão, a Dayse dividiu a doença em duas partes: típica, ou clássica – que é aquela que acompanha a pessoa desde criança e as outras formas -que aqui ela vai chamar de atípicas.

“Então vamos falar assim, olha: a doença celíaca típica é uma doença que leva a uma alteração na anatomia do intestino. O instinto funciona como se fosse uma vassourinha que são as vilosidades ou microvilosidades que são como se fosse alguns dedinhos que servem para a absorção dos nutrientes. Quem tem doença celíaca vai perdendo isso, v ai perdendo essas vilosidades e o intestino vai ficando o que a gente chama “mucosa careca”: ele vai ficando com uma superfície menor de absorção. E as pessoas que têm a doença celíaca típica elas apresentam sintomas relacionados à má absorção de nutrientes. É uma criança que antes dos 2 anos de idade começa a ter uma diarreia muito importante, uma distinção do abdômen, ou seja, a sentir que a barriga fica inchada; vômitos, começa a desnutrir... Essa é a doença típica”

E quem não tem essas manifestações desde pequeno passa por quais alterações? Lembrando que agora vamos falar das manifestações atípicas, correto?

“A doença atípica ela pode se manifestar de várias formas. Inclusive fora do sistema digestório. Por exemplo, uma pessoa que tem dores articulares repetidamente. Uma pessoa que tem uma anemia de difícil controle. Uma pessoa que tem as enzimas do fígado aumentadas sem nenhuma explicação; osteoporose, infertilidade e por aí vai outras formas da doença celíaca se manifestar”.

A Nathalia Araújo, de 27 anos, começou a ter alguns desses sintomas aos 17 anos. Mas só depois de seis meses de exames, consultas, ela recebeu o diagnóstico de doença celíaca. Isso foi em 2009. A partir daí ela passou por algumas adaptações.
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“No início foi meio complicado porque ninguém sabia muito bem o que eu poderia comer, o que não podia comer. Então você passa aquele período sem comer nada, né? Você come só uma saladinha, uma coisa bem natureba assim. E aí depois com o tempo foi melhorando. Foram saindo mais lojas, mais alimentos...”

Pra você entender melhor as adaptações que a Nathalia precisou fazer, a gente relembra que lá no início do programa a gastropediatra Dayse explicou que as pessoas que descobrem a doença celíaca precisam ficar longe do glúten de uma vez por todas!

Bem lembrado, Pedro. Mas grande parte dos alimentos do supermercado tem aquele rótulo: CONTÉM GLÚTEN. Então, como ficar longe? Quem responde essa pergunta pra gente é a nutricionista que faz parte da coordenação de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Simone Guadagnin.

“Bem Aline, o que a gente pode dar de dicas pra ficar longe do glúten é sempre dar preferências aos alimentos in natura e minimamente processados, conforme orienta nosso Guia Alimentar para a População Brasileira. Mas isso porquê? Porque quando a gente consome os alimentos in natura e minimamente processados a gente sabe exatamente o que está consumindo. Ou é uma fruta ou é verdura ou é um legume. E quando a gente consome um alimento ultra processado - que são aqueles alimentos que produzidos pela indústria que tem grande quantidade supermercado - muitas vezes eles têm glúten na sua preparação e a gente não sabe. Por isso que a gente sempre orienta consumir sempre alimentos minimamente processados ou alimentos in atura ou preparações feitas em casa ”.

E se você está dúvida do seja um alimento in natura ou minimamente processado a gente traduz. In natura é o alimento natural; do jeitinho que ele é. Por exemplo, uma maça, uma alface... E minimamente processados são aqueles que passaram por poucas mudanças. Ou seja, tiramos a casca, o talo... A mandioca é um exemplo disso. E você encontra outros exemplos no nosso Guia Alimentar para a População Brasileira – que está disponível de forma gratuita no nosso portal: saude.gov.br

E se você que nos ouve está pensando como as pessoas que têm doença celíaca fazem pra sair de casa, passear, ir para uma festa e até mesmo viajar, terá a resposta agora mesmo ouvindo um pouquinho mais da experiência da Nathalia que tem a doença há mais ou menos dez anos.

“Então, ainda é complicado porque você ainda tem aquele preconceito porque as pessoas acham que é uma chatice, ou é só uma dieta quando, na verdade, é uma condição de saúde. E com a rotina, quando você se organiza facilita muito a vida. Atualmente eu moro numa komb. Então é uma coisa meio louca assim viajar pelo Brasil sem poder comer tudo. E aí eu sinto um pouco mais de dificuldade. Mas eu acho bom porque não é impossível. Quando você se organiza você sempre come antes de sair, ou você sempre leva uma coisa segura pra comer na bolsa. Deixa a vida muito mais fácil. Hoje já não sinto mais tanta dificuldade como no começo. As pessoas já conhecem mais sobre o glúten, isso facilita. E em algum momento - até hoje eu não sei exatamente quando - virou moda a história do glúten de não se comer glúten. Então na minha opinião isso facilitou muito a vida do celíaco”.

Aline, fiquei sabendo até de festa infantil Glúten Free, ou seja, com todas as comidas feitas sem glúten. E é bom perceber que agora a Nathalia e outras pessoas que têm o mesmo diagnóstico conseguem encontrar o que comer com maior facilidade.

Isso é legal mesmo, Pedro. Mas é importante reforçar que deixar de comer de glúten sem indicação médica pode ter consequências perigosas para pessoas que tem doença celíaca e ainda não sabem. E para nos dar esse alerta está de volta ao nosso estúdio a gastropediatra Dayse Oliveira. Dayse, quais os riscos de tirar o glúten da dieta sem indicação?

“O que acontece é que uma pessoa que tem sintomas, uma pessoa. Por exemplo, que sente uma distensão abdominal, mal-estar, náusea ou até mesmo uma diarreia quando usa glúten e simplesmente para de usar glúten sem que seja feito um diagnóstico de doença celíaca – ela perdeu o momento do diagnóstico. Porque a partir do momento que ela parar de usar glúten, os marcadores sorológicos, todos os marcadores que levariam ao diagnóstico normalizam. E essa pessoa vai ficar bem – clinicamente, aparentemente bem, mas de vem em quando usando algumas pequenas porções de glúten; o que pode levar a consequências no futuro. Se uma pessoa tem algum mal-estar e sente algum sintoma com o uso do glúten, antes de parar de usar glúten que ela deva procurar um médico pra pelo menos afastar a possibilidade de doença celíaca”.

Os riscos podem ser osteoporose, infertilidade, câncer e outros. Por isso, é importante lembrar que uma dieta sem glúten não é sinônimo de uma alimentação mais saudável. Ou seja, não precisa tirar o glúten da sua alimentação se você não tem a doença celíaca. Quem reforça esse recado é a nutricionista Simone Guadagnin.

“Está havendo uma massificação dessa informação de que como se eu fizesse uma festa Glúten Free ela seria mais saudável do que uma festa que contém alimentos com glúten. E não é isso. O que a gente precisa deixar claro é que o glúten é perigoso para pessoas que tem doença celíaca”.

E sabendo do perigo do glúten, a professora Rejane Dantas de Cuiabá fez mudanças radicais na alimentação dela e da filha de sete anos quando descobriu no início deste ano que as duas têm doença celíaca.

“O que a gente mudou foi a alimentação. Radical. Cortamos trigo, a cevada, tudo o que contém o glúten e derivados. E estamos gora aprendendo a viver olhando os ingredientes porque em coisas que a gente nem imagina contém o glúten. A minha filha reclama. Porque assim, ela é criança - ela tem apenas 7 anos. E ela fala: ‘mamãe, eu queria tal bolacha daquele tipo, porque tô enjoada de comer essa. Então quando a gente quer comer algo diferente ou eu tenho que fazer, ou a gente fica na vontade”.

Mas antes de fazer qualquer substituição, a Rejane procurou auxílio de um nutricionista. E como nós temos uma especialista no assunto aqui no estúdio, vamos aproveitar para perguntar. Doutora Simone, a gente ouviu a Rejane falar que não come mais trigo, cevada.... Afinal, o que é o glúten e como pessoas com doença celíaca podem fazer a substituição desse alimento?

“O glúten é uma proteína presente em alimentos que são fonte de carboidrato. O glúten em si não faz falta para o organismo. Mas as fontes de carboidrato podem sim fazer falta. Considerando que o glúten está presente nas farinhas de trigo, aveia de cevada e de centeio muitas vezes, quando a pessoa que tem doença celíaca exclui esse alimento. Ele também exclui grande parte da sua fonte de carboidrato da dieta. Então a gente orienta substituir as fontes de carboidrato dos alimentos que contém glúten por outras. Então a gente tem algumas opções. Por exemplo: os tubérculos (inhame, mandioca, batata, bata doce, arroz, milho) – que são alimentos que contém carboidrato, mas não têm a proteína do glúten. E também os derivados. Por exemplo: para preparar um bolo, ou um pão, eu posso utilizar uma farinha de arroz ou uma farinha de mandioca como substituto. Existem outras farinhas também: de grão de bico, féculas de mandioca, de batata, quinoa, polvilho... Também tem outras preparações como a tapioca, cuscuz de milho. Então tem outras opções que a pessoa que tem doença celíaca pode buscar”.

Pedro, quem responde isso pra gente é a Dayse Oliveira, a gastropediatra que esteve com a gente durante todo o programa. E então, doutora. Doença celíaca tem cura?

“Não. Não tem cura. Porque ela é uma doença genética – é pra o resto da vida. Mas ela tem o controle 100%. Se a pessoa fizer a dieta adequadamente, os riscos que seriam, por exemplo infertilidade, osteoporose, ressico até de convulsões, depressão, de desnutrição, riscos de câncer...eles acabam. A pessoa que faz a dieta corretamente var ter a vida normal e não terá mais esses riscos relacionados à doença celíaca”.

Viu só? Não precisa ter medo do diagnóstico. Quem tem doença celíaca pode viver bem e de forma saudável. Então não deixe de procurar acompanhamento profissional se sentir algum dos sintomas que falamos no nosso Podcast.

E você pode encontrar mais dicas nutricionais no Guia Alimentar para a População Brasileira. É só digitar esse nome no seu site de buscas ou procurá-lo na Biblioteca Virtual do Ministério da Saúde.

E agora vou contar um segredo pra fechar o programa com chave de ouro: o tema do programa de hoje veio de uma sugestão que recebemos pelo WhatsApp. Então se você tem alguma ideia ou sugestão para os nosso próximos Podcasts, é só enviar uma mensagem pra gente. Qual o número, Pedro?

Anota aí: nosso telefone é (61) 99288-9677. Teremos muito prazer em fazer o programa com você. E mande mensagem de áudio dizendo seu nome e a cidade onde mora. E você também pode entrar em contato conosco através do site saude.gov.br ou pelas nossas redes sociais: Facebook.com/Minsaude e pelo Twitter @minsaude.

Então, nosso Pausa para Saúde da semana termina aqui. Muito obrigada a Nathalia Araújo e a Rejane Dantas que compartilharam um pedacinho da experiência.

Também agradecemos às especialistas: a gastropediatra Dayse Oliveira e a nutricionista que faz parte da equipe de Alimentação e Nutrição do Minsitério da Saúde, Simone Guadagnin.

E, claro, a você que deu essa pausa para nos ouvir. Um grande abraço e até semana que vem!
 

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