Por Marquezan Araújo
Tornar o ambiente de trabalho mais seguro é um dos fatores que contribuem para a motivação dos empregados. De acordo com a gerente Executiva de Saúde e Segurança na Indústria do SESI-PB, Grinete Pinheiro de Melo, esse também pode ser considerado um aspecto que levou o estado a reduzir os números relacionados a acidentes dentro das companhias.
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Dados da Secretaria de Previdência do Ministério da Fazenda (SPrev) apontam que, na Paraíba, entre 2015 e 2017, a taxa de acidentes do trabalho reduziu quase 8%, chegando no último ano a 3.975 casos. No estado, a taxa de incidência era de 10,16 a cada mil vínculos empregatícios. Em 2016, o número caiu para a 7,92.
Ainda segundo Grinete, o trabalho realizado pelo SESI-PB no estado tem como propósito traçar novas metodologias e trabalhar com inovações para reduzir o número de afastamentos de funcionários. “O nosso objetivo é que tenhamos dados primários e que a gente possa dar uma resposta para a indústria paraibana dizendo: a atuação do SESI reduz o número de acidentes, melhora a qualidade de vida do trabalhador, reduz o número de afastamento por doença ou por acidente.”
Na avaliação do consultor na área de Segurança do Trabalho, Antônio Carlos Vendrame, o investimento em Saúde e Segurança no Trabalho (SST) é algo indispensável para o aumento da produção de uma empresa, além de significar redução no valor de taxas pagas pelas companhias. “Se o meu desempenho coletivo com outra empresa também for bom, o meu seguro de acidente de trabalho também tende a cair”, afirma.
“É um universo muito grande de aumento e redução de imposto que eu posso ter. Imagina, 17,5% da folha de pagamento, quanto dinheiro que não significa e eu podendo manipular isso de forma a reduzir essas condições”, completa Vendrame.
Segundo dados de uma pesquisa feita Serviço Social da Indústria (SESI), de 500 médias e grandes empresas ouvidas no balanço, 48% delas acreditam que ações para aumentar a segurança no ambiente laboral e promover a saúde de trabalhadores reduzem as faltas ao trabalho. Para 43,6%, esses programas aumentam a produtividade e 34,8% apontam que essas ações diminuem despesas.
Setor da Indústria
De acordo com Secretaria de Previdência do Ministério da Fazenda, o setor industrial reduziu o número de acidentes de trabalho. Os últimos dados da SPrevrevelam que em atividades como a indústria de transformação, por exemplo, a quantidade de acidentes caiu 40,9% entre 2007 e 2016. Na indústria extrativista, o recuo foi de 33,6%.
Além disso, entre 2007 e 2015, a taxa acidentária (típicos apenas) recuou 27,9%. Outro fator que mostra o bom desempenho da indústria é a relação do número de empregados formais, que cresceu 20,7%, com o de acidentes típicos, que ao mesmo tempo registraram queda de 21,9%.
O assunto também abordado em estudo feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O projeto, que é composto por um grupo de propostas encaminhado aos candidatos à Presidência da República, recomenda uma discussão sobre o investimento em segurança e saúde no trabalho.
De acordo com o balanço, é necessário que o serviço médico da empresa, por exemplo, possa subsidiar a perícia médica do INSS. A medida, segundo a Confederação, aumenta a transparência do processo e dá maior efetividade à decisão do perito, que terá informações complementares. Isso poderia gerar um impacto direto na redução de custos previdenciários.