Por Marquezan Araújo
Entre 2006 e 2016, a produtividade da indústria no Brasil caiu mais de 7%, segundo dados do governo federal. Cheio de incertezas políticas e econômicas, o país tem outro desafio pela frente relacionado ao setor: se adaptar à Indústria 4.0.
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Também conhecido como quarta revolução industrial, o movimento vai exigir uma maneira diferente de produzir, tendo em vista que essa prática é marcada pela integração do mundo físico com virtual.
Na Paraíba, por exemplo, alguns trabalhos já estão sendo feitos em relação ao preparado das empresas para essas novas tecnologias. Um deles é o projeto Indústria Mais Avançada.
Coordenado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), o programa permite o acompanhamento, em tempo real, da produção de pequenas e médias empresas do estado. O objetivo é manter o proprietário o tempo todo informado do andamento da produção, possibilitando a tomada rápida de decisões quando falhas forem identificadas.
O gerente executivo de Educação e Tecnologia do SENAI-PB, Janildo Sales, afirma que as mudanças provocadas pela Indústria 4.0 geram impacto, inclusive, no meio da gestão empresarial, Ou seja, segundo ele, os empresários também têm que mudar a forma de pensar as estratégias da companhia.
Sobre o projeto, Janildo explica que a primeira fase “é a informatização, “onde a empresa tem todas as suas máquinas com seus sensores que possam passar informações”. Ao dar sequência, o especialista conta que há uma central que capta todas as informações do parque de máquinas. A partir daí, “o responsável tem exatamente uma maior visibilidade, o que lhe dá acesso ao que está acontecendo no processo produtivo”.
Atualmente, 56 pequenas e médias empresas de todo o país fazem parte do projeto piloto do Indústria Mais Avançada. De acordo com o SENAI, isso não impede, porém de grandes empreendimentos investirem no sistema de sensores.
Para o gerente executivo de Política Industrial da Confederação da Nacional da Indústria (CNI), João Emílio Gonçalves, sem investimentos nessas novas tecnologias, a competitividade empresarial não vai avançar. “Avançar rapidamente não é uma opção, é uma absoluta necessidade para a indústria brasileira. A gente tem uma série de desafios e vários deles passa, por questões sistêmicas”, diz João Emílio.
As principais tecnologias envolvidas na Indústria 4.0 são: robótica avançada, manufatura híbrida, big data, impressão 3D, computação em nuvem, inteligência artificial, sistemas de simulação virtual e internet das coisas.
Outros projetos
A chegada do movimento 4.0 no Brasil implica na necessidade de implementação das novas tecnologias digitais na maneira do produzir. Por isso, além do programa Indústria Mais Avançada, as pequenas e médias empresas também têm a opção de conhecer outros projetos. O Brasil Mais Produtivo (B+P) é um deles.
O programa também oferece consultoria para introduzir técnicas da Manufatura Avançada/Indústria 4.0 a pequenas e médias empresas brasileiras. O programa, já atendeu três mil empresas de todas as regiões brasileiras.
Segundo a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), as empresas que participaram, em 2017, alcançaram um aumento médio de produtividade de 52,09% nas linhas de produção.
Outra forma de os empresários ficarem por dentro dos novos modelos de produção é participando do Senai 4.0. O projeto disponibiliza uma série de soluções e serviços relacionados à Indústria 4.0.
O trabalho é estruturado em três fases. A primeira consiste na difusão dos conceitos através de encontros presenciais e cursos gratuitos. Nessa etapa, a ideia é possibilitar o melhor entendimento das oportunidades de melhorias.
O próximo passo se refere à construção de um plano de ação com uma trajetória objetiva de utilização dos conceitos e tecnologias da Indústria 4.0. Já na última fase, o SENAI oferece espaços para as empresas terem acesso à informação e ambientes neutros para realização de testes e compartilhamento dos resultados.
Propostas da indústria
Diante da necessidade de os avanços tecnológicos da Indústria 4.0, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) encaminhou uma série de propostas aos candidatos à Presidência da República.
O documento contém medidas de apoio à modernização industrial e aplicação de novas tecnologias digitais no dia a dia das empresas. O objetivo é melhorar a infraestrutura de telecomunicação e desenvolvimento de estratégias para a formação e qualificação profissional. As propostas fazem parte do documento Propostas da Indústria para as Eleições.