Após 24 anos, o MDB volta a ter um candidato à presidência da República. O último havia sido o ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia, em 1994. Em 2018, Henrique Meirelles será encarregado por representar o partido na corrida presidencial de 2018.
Economista respeitado ao redor do mundo, Meirelles tem o desafio de retomar a confiança do povo brasileiro. E foi justamente esse o tom adotado pelo ex-ministro da Fazenda no primeiro discurso após a oficialização da candidatura.
O ex-presidente do Banco Central do governo Lula defendeu que o extremismo da política é o que causa o "senso de desconfiança no país". Essa linha de pensamento vem sendo adotada por Meirelles ao longo do período de pré-campanha. O candidato se apresenta como a solução do impasse entre as ideologias políticas de esquerda e direita.
Meirelles reforçou os trabalhos feitos por ele anteriormente, como quando colocou o Brasil entre as seis maiores potências do mundo, e destacou que é preciso “descartar a palavra impossível”.
O ex-ministro da Fazenda foi o responsável por fazer o Brasil crescer mais de 3% por mais de 60 meses consecutivos enquanto esteva à frente do Banco Central. Confortável para falar do assunto, em seu discurso, reforçou que pretende fazer o país voltar ao tempo de prosperidade econômica. A meta, segundo ele, é fazer o Brasil crescer 4% ao ano.
Para o presidente nacional do núcleo MDB Jovem, Assis Filho, os trabalhos já feitos por Meirelles na área econômica o credenciam para estabelecer uma meta de crescimento para o país.
“Meirelles mostrou que tem capacidade já em governos como de centro, como o atual, e de esquerda, como o de Lula. Meirelles é a pessoa mais indicada para passar essa confiança e para afirmar isso. Não há ninguém nesse país com a credibilidade e a capacidade de afirmar o crescimento do país do que Meirelles”.
A guinada econômica comandada por Meirelles entre 2003 e 2010 foi responsável por tirar mais de 40 milhões de brasileiros da pobreza. Na área social, o candidato afirmou que, se eleito, pretende agregar ao Bolsa Família o “Cartão da Família”, modalidade pré-paga com crédito de 20% a 30% do valor recebido pelos beneficiários. A ideia é que as pessoas usem o recurso do cartão livremente. O valor seria descontado mensalmente da folha de pagamento do programa.
Uma das bandeiras levantadas pela equipe do ex-ministro está na educação. Ao longo da pré-campanha, Meirelles defendeu que os governos anteriores focaram muito no ensino superior e pouco na educação de base e reforçou a proposta de governo de investimento nos primeiros anos de aprendizado. A principal ideia é aumentar a oferta em creches particulares através do programa “Pró Criança”, destinado às famílias atendidas pelo programa Bolsa Família.
Um dos pontos de maior apelo da população, a segurança pública também foi tema no discurso. A principal proposta de Meirelles para a área é colocar policiamento ostensivo nas áreas urbanas e no campo, através de programa integrado entre os governos estaduais, municipais e o governo federal, em parceria com as Forças Armadas.
Meirelles já provou que faz um bom trabalho independente da ideologia política que predomina no país. Deixou isso claro ao afirmar que "o mundo para ele não se divide em quem gosta do Lula, de um lado, e de quem não gosta, e entre quem gosta do presidente Temer e quem não gosta". Na fala do emebista, "o mundo se divide entre quem trabalha quando o Brasil precisa e quem não trabalha".
Muito aplaudido pela militância do MDB, Meirelles encerrou seu primeiro discurso como candidato oficial do partido com uma analogia entre futebol e o atual momento político vivido pelo Brasil.
Ao fazer referência com a semifinal da Copa do Mundo de 1958, quando o Brasil saiu perdendo da França, Meirelles se colocou como jogador que buscou a bola no fundo da rede e a levou para o meio de campo.
A metáfora serviu para ilustrar que, mesmo em momentos difíceis, o ex-ministro está preparado e confiante para reverter qualquer situação. O tom reforçou a ideia apresentada no começo da fala, quando afirmou que é preciso “descartar a palavra impossível”.
Reportagem, Thiago Marcolini