Brasil - Turismo·07 de novembro de 2026

Novembro Negro: Ministério do Turismo aproxima afroempreendedores de linhas de crédito para ampliar negócios

Webinar realizado em parceria com a Associação Brasileira de Afroturismo (Abrafro) apresentou oportunidades de financiamento do Fundo Geral de Turismo (Fungetur) para empreendedores do segmento; participantes destacam novas perspectivas de investimento e expansão

Por Bianca MingoteBianca Mingote é jornalista formada pela Universidade de Brasília (UnB), com experiência em cobertura do Congresso Nacional, saúde, economia e política. Atuou como repórter na Secom (UnB), no Correio Braziliense (CB) e na Rádio Senado. Também foi trainee do CB no Curso Jornalismo na Prática, com foco na cobertura de saúde do Brasil. É repórter do Brasil 61 desde 2024.
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 Tomaz Silva/Agência Brasil
Tomaz Silva/Agência Brasil·Foto: Brasil 61

Como parte da programação oficial do Governo Federal para o Novembro Negro 2026, o Ministério do Turismo (MTur), em parceria com a Associação Brasileira de Afroturismo (Abrafro), promoveu o webinar “Rotas Negras em Ação: oportunidades e acesso ao Fungetur”. O encontro apresentou linhas de financiamento do Fundo Geral de Turismo (Fungetur) a empreendedores do afroturismo e buscou aproximar o segmento de instrumentos financeiros para ampliar atividades, investir em infraestrutura e fortalecer iniciativas nos territórios.

A ação integra uma articulação com o programa Rotas Negras e a Abrafro e tem como objetivo facilitar o acesso de empreendedores negros às oportunidades de financiamento disponíveis no setor turístico. Segundo o MTur, o acesso ao crédito pode estimular os empreendedores a colocar em prática ideias que estão no papel. 

No caso dos empreendedores do afroturismo, as linhas do Fungetur podem contribuir para expandir negócios, modernizar infraestruturas e fortalecer iniciativas que valorizam a cultura afro-brasileira. Os investimentos contribuem, ainda, para movimentar a economia local.

Impacto do Fungetur para os empreendedores

Durante o encontro, participantes conheceram as condições do Fungetur, que disponibiliza mais de R$ 1 bilhão em recursos para empreendimentos turísticos em 2026.

Os financiamentos podem chegar a R$ 15 milhões, com taxas de juros de até 5% ao ano, acrescidas do INPC. Os prazos variam conforme a finalidade do crédito: até 120 meses para aquisição de bens e capital de giro e até 240 meses para obras e reformas, com carência de até cinco anos, dependendo da modalidade. 

Para Sinara Leandra de Souza, integrante do Comitê Gestor do Programa Rotas Negras e coordenadora de Aproveitamento de Ativos Naturais do Ministério do Turismo, aproximar os empreendedores dessas linhas de crédito é uma forma de transformar oportunidades em desenvolvimento econômico.

“Muitas vezes, o que falta a um empreendedor é a oportunidade de acessar os recursos necessários para transformar seu potencial em realidade. Aproximar os negócios do afroturismo das linhas de financiamento do Fungetur é justamente fazer com que essas iniciativas cresçam e ocupem cada vez mais espaço no mercado turístico brasileiro. Então, o nosso papel é fazer com que essas oportunidades cheguem a quem tem muito a contribuir para o desenvolvimento do país”, afirmou Sinara.

Crédito como oportunidade de expansão

Entre os participantes do webinar estava Elielson Pereira, empreendedor de origem quilombola que atua há cinco anos na Chapada dos Veadeiros (GO) à frente da agência Céu de Gaia Astroturismo. A iniciativa trabalha com o turismo astronômico, segmento que ainda busca maior espaço e oportunidades de financiamento no país.

Para ele, conhecer as condições do Fungetur representou uma nova perspectiva de acesso a recursos, especialmente considerando sua trajetória e a atuação em uma região que abriga territórios quilombolas – Kalunga e Avá-Canoeiro.

“O encontro me trouxe esperança, já que sinto dificuldades de acesso a recursos. Parabenizo a iniciativa, que chegou para mim como um verdadeiro letramento financeiro”, relatou Elielson.

O empreendedor também destacou a possibilidade de utilizar as linhas de financiamento para dar continuidade e ampliar os trabalhos na Região Centro-Oeste. Segundo ele, o acesso aos recursos pode beneficiar iniciativas que ainda encontram dificuldades para obter crédito, inclusive em segmentos emergentes, como o astroturismo.

“Quando pude apreciar a apresentação, deu para notar onde estava hiperconcentrado esse fundo, sobretudo no eixo Sul-Sudeste. E, morando no Centro-Oeste, sobretudo na região que contempla o maior território quilombola do país, o território Kalunga, vejo que abre caminhos possíveis para a gente acessar esses recursos e dar continuidade e ampliar as nossas ações, os nossos trabalhos na região”, destacou Elielson.

Outra participante foi Tâmara Azevedo Cardoso, da Bahia Turismo e Arte, empresa que atua há 16 anos em Salvador (BA). Ela avalia que as condições oferecidas pelo Fungetur podem contribuir para o crescimento do negócio.

A empreendedora planeja ampliar a estrutura da empresa, que atualmente funciona no ambiente digital, com a implantação de um espaço físico no centro da capital baiana. Entre os investimentos previstos estão a aquisição de equipamentos e de um automóvel com capacidade para sete passageiros.

“O Fungetur é fantástico em relação às taxas de juros bem menores, ser facilitado, ter uma carência boa. Para o meu negócio hoje, a gente quer ampliar. Então, ampliar significa também contratar”, explicou Tâmara.

Novos projetos e fortalecimento do afroturismo

O webinar também despertou o interesse de empreendedores que estão estruturando novos projetos. É o caso de Beth Brusco, jornalista e idealizadora da Afrovia, iniciativa voltada ao segmento do afroturismo.

A ideia surgiu após ela conhecer o Guia do Afroturismo Brasil. Com experiência profissional no setor, incluindo trabalhos na Secretaria de Turismo do Rio de Janeiro e em agências de comunicação, Beth identificou a necessidade de ampliar a produção editorial sobre o tema.

Ela conta que chegou ao encontro por meio de uma publicação de um portal de cultura e se inscreveu inicialmente para conhecer as possibilidades de financiamento. A apresentação, no entanto, trouxe informações que ampliaram suas perspectivas de viabilizar o projeto.

“O encontro me surpreendeu positivamente pela riqueza de detalhes e esclarecimentos para quem está, como eu, em busca de monetização de projeto. E melhor, me deu a esperança de conseguir alcançar este objetivo”, relatou Beth.

Ampliação do acesso às políticas públicas

Além da apresentação das linhas de crédito, o Ministério do Turismo tem adotado medidas para ampliar o conhecimento sobre o perfil dos empreendedores do setor. Uma delas foi a inclusão obrigatória de campos de raça, etnia e gênero no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur).

A mudança busca produzir dados que contribuam para a formulação de políticas públicas, a qualificação profissional e o mapeamento do acesso ao crédito, permitindo identificar desigualdades e orientar ações de inclusão no turismo. 

Com cadastro ativo no Cadastur, podem solicitar financiamento pelo Fungetur diferentes empreendimentos da cadeia turística, como agências de viagens, pousadas, transportadoras turísticas, locadoras de veículos, cafeterias, bares e restaurantes.

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As linhas do Fundo Geral de Turismo, o Fungetur, podem financiar até 15 milhões de reais, com juros de até 5% ao ano, acrescidos do INPC. Os prazos podem chegar a 240 meses para obras e reformas, com carência de até cinco anos, dependendo da modalidade.

Para solicitar recursos do Fungetur, os empreendimentos precisam ter cadastro ativo no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos, o Cadastur. Podem participar diferentes atividades da cadeia do turismo, como agências de viagens, pousadas, transportadoras turísticas, cafeterias, bares e restaurantes.

Mais detalhes sobre o Fungetur podem ser acessados em www.gov.br/turismo.

Reportagem, Bianca Mingote
 

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Bianca Mingote

Bianca Mingote é jornalista formada pela Universidade de Brasília (UnB), com experiência em cobertura do Congresso Nacional, saúde, economia e política. Atuou como repórter na Secom (UnB), no Correio Braziliense (CB) e na Rádio Senado. Também foi trainee do CB no Curso Jornalismo na Prática, com foco na cobertura de saúde do Brasil. É repórter do Brasil 61 desde 2024.