Ciência & Tecnologia·21 de agosto de 2020

No Paraná, FNDCT ajuda no suporte a vítimas de desastres naturais. Fundo sofreu 88% de contingenciamento em 2020

Dos 233 projetos apoiados pelo FNDCT finalizados em 2019, 12 foram feitos por instituições paranaenses

Por Daniel MarquesJornalista brasiliense formado pela Universidade de Brasília (UnB), com passagens em redações da capital. Trabalhou como repórter no Correio Braziliense e Rádio CBN, além de agências de comunicação. Atualmente, integra a redação do Brasil 61 com pautas de saúde e política.
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Dos 233 projetos com apoio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Ciência e Tecnologia (FNDCT) finalizados no ano passado, 12 foram desenvolvidos no Paraná. No total, esses projetos representam R$ 75 milhões investidos na ciência e tecnologia do estado. Entre os projetos apoiados, está o desenvolvimento de casas populares que podem ser construídas rapidamente em caso de desastres naturais e calamidades, como enchentes, desabamentos ou rompimentos de barragens. O projeto da empresa Embafort é especialmente importante para o estado do Paraná, que é atingido frequentemente por tempestades e ciclones.

Contudo, a verba liberada pelo fundo em 2019 representa menos da metade do que estava previsto no orçamento do ano. A Lei Orçamentária Anual indicava que R$ 5,65 bilhões seriam aplicados na ciência e tecnologia brasileiras no ano passado. No entanto, as aplicações que realmente aconteceram somaram apenas R$ 2 bilhões, o que representa um contingenciamento de mais de 60%. Em 2020, o corte foi ainda maior: 88%.

“Você manter um investimento forte e descontingenciar o FNDCT é fundamental para o futuro do país”, destaca o físico Ronald Shellard, diretor do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e representante do Fórum das Unidades de Pesquisa em Ciência, Tecnologia e Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI) no lançamento da campanha pelo fim do contingenciamento do FNDCT. “É fundamental pra gente entender e equacionar os grandes problemas, como a falta de saneamento básico e de habitação. Isso exige também boa ciência para esses problemas sejam enfrentados.” 

Em uma tentativa de acabar com essas limitações, cientistas e empresários se uniram em apoio ao Projeto de Lei Complementar (PLP) 135. A proposta, que espera votação na Câmara dos Deputados, proíbe que o FNDCT seja contingenciado. Além disso, transforma o fundo contábil em um fundo financeiro. Isso quer dizer que o FNDCT vai poder, por exemplo, aplicar o dinheiro que tem em caixa e ser remunerado pelas aplicações.

Na sessão do Senado que aprovou a medida, o senador Álvaro Dias, do Podemos do Paraná, ressaltou que os pequenos repasses destinados às universidades dificultam a pesquisa, inclusive no combate ao novo coronavírus.

“Aqui, na Universidade Federal do Paraná, no curso de Biologia, nós temos R$18 mil por ano para pesquisa. Há pouco tempo, vimos, na televisão, uma reportagem sobre a questão do coronavírus com uma pesquisadora em São Paulo. Quando ouviram a sua mãe, com mais de 90 anos, sobre como ela se sentia diante do brilhantismo da filha, ela deixou de falar sobre o brilhantismo da filha para dizer: ‘Vejam como é importante investir em ciência, tecnologia e educação’. Custa caro, mas é preciso investir. Nós estamos atrasados”, defende.

Segundo dados da Iniciativa para Ciência e Tecnologia no Parlamento (ICTP br), entre 2004 e 2019 o FNDCT apoiou cerca de 11 mil projetos. Entre eles estão as pesquisas, por exemplo, que permitiram a descoberta e a exploração do Pré-Sal. O fundo também foi usado na reconstrução da Estação Antártica Comandante Ferraz, base brasileira de pesquisas científicas no Polo Sul.

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Segundo dados da Iniciativa para Ciência e Tecnologia no Parlamento (ICTP br), entre 2004 e 2019 o FNDCT apoiou cerca de 11 mil projetos. Entre eles estão as pesquisas, por exemplo, que permitiram a descoberta e a exploração do Pré-Sal. O fundo também foi usado na reconstrução da Estação Antártica Comandante Ferraz, base brasileira de pesquisas científicas no Polo Sul.

Reportagem, Daniel Marques

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Sobre a repórter

Daniel Marques

Jornalista brasiliense formado pela Universidade de Brasília (UnB), com passagens em redações da capital. Trabalhou como repórter no Correio Braziliense e Rádio CBN, além de agências de comunicação. Atualmente, integra a redação do Brasil 61 com pautas de saúde e política.