O governo federal apresentou um déficit de quase R$ 152 bilhões entre o que arrecada de contribuições e o que teve que pagar em aposentadorias em 2016, pela Previdência Social. Sem idade mínima estabelecida e com o aumento da expectativa de vida do brasileiro aumentando, a aposentadoria precoce de trabalhadores faz com que uma parcela considerável de aposentados passe mais tempo recebendo do que de fato, contribuíram.
Há, no entanto, quem não entende essa conta e questiona: se o trabalhador está em dia com a sua contribuição e o seu patrão também, por que o governo tem dificuldades em pagar as aposentadorias? Quem nos responde é a economista chefe da ARX Investimentos, Solange Srour.
“O que acontece hoje é que a estrutura da Previdência ela está muito mal formulada. As regras são muito benéficas, então as pessoas se aposentam muito cedo. Não é que o governo não consegue gerir o dinheiro. É que a regra de aposentadoria ela permite que pessoas que contribuam pouco recebam bastante ao longo da vida. Então é por isso que as contas não fecham. Fora isso tem outros privilégios como o caso de professores, militares, policiais, categorias especiais que recebem ao longo do tempo mais do que contribuíram também. Então o problema é um problema de formulação de regras. Não é um problema de gestão do dinheiro. Então o trabalhador pode gerir bem seu dinheiro na sua vida particular, mas quando se trata de governo onde tem regras especiais para grupo de específico isso fica complicado. Por isso que o mote da campanha é acabar com os benefícios. E, de fato, uma parcela dos benefícios vai ser atacada, ainda atacada ainda que não todas”
A expectativa do governo é que a Câmara dos Deputados vote, ainda este mês, a reforma da Previdência em plenário.