Economia - Inflação·26 de agosto de 2025

Mercado reduz previsão de inflação para 2025, mas índice segue acima do teto da meta

Expectativa para o IPCA recua pela 13ª semana seguida, mas segue acima do teto da meta do Banco Central, de 4,5%

Por Lívia BrazFormada em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em 2007, é repórter do Brasil 61 desde 2022. Ao longo de 18] anos de carreira, atuou nas redações da Record TV e na assessoria de comunicação do Governo do Distrito Federal (GDF), cobrando fatos relevantes da história do pais, como posses presidenciais e eventos jurídicos, como o julgamento do Mensalão no STF.
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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasi
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasi·Foto: Brasil 61

O mercado financeiro voltou a reduzir as projeções para a inflação do próximo ano. Segundo o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (25), a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu de 4,95% para 4,86% em 2025. Apesar da queda, a taxa ainda supera o teto da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4,5%.

Essa é a 13ª semana consecutiva de revisão para baixo nas projeções, que também apontam recuo para os anos seguintes: 4,33% em 2026, 3,97% em 2027 e 3,8% em 2028.

Para o economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, a trajetória de queda reflete uma correção das expectativas exageradas feitas no início do ano.

“Essa projeção de inflação menor por parte do mercado financeiro decorre justamente das projeções que o mercado fez no começo do ano. Nós tínhamos projeções de inflação muito mais altas, tínhamos instituição projetando que o IPCA encerraria o ano de 2025 acima de 7,1% e parte da explicação para essas projeções tão ruins no começo derivam de duas coisas: a primeira delas, o descontrole cambial visto em dezembro do ano passado; e a segunda, na crença de que as contas públicas sairiam de controle — nenhuma das coisas acabou se mostrando verdadeira.”

Fatores conjunturais

A queda recente dos preços dos alimentos e a estabilidade relativa do barril de petróleo ajudaram a aliviar as expectativas. Segundo Galhardo, isso abre a possibilidade de cortes no preço da gasolina até o fim do ano.

“De modo geral, além desse ajuste, o mercado tem projetado uma inflação mais baixa. Projetou muito alto lá no começo, mas também tem um comportamento relativamente benigno dos preços dos alimentos, relativamente benigno do barril do petróleo — o que inclusive pode abrir espaço para que a Petrobras corte o preço da gasolina nessa reta final de 2025.”

Em julho, o IPCA oficial medido pelo IBGE ficou em 0,26%, acumulando alta de 5,23% em 12 meses, ainda acima do teto da meta. O resultado foi pressionado pelo aumento na conta de energia e pela variação cambial, mas compensado pela queda nos alimentos.

Papel dos juros

A taxa Selic segue em 15% ao ano, após sete altas consecutivas interrompidas em julho pelo Comitê de Política Monetária (Copom). O mercado projeta manutenção do patamar até o fim de 2025, com recuos graduais nos anos seguintes.

Para Galhardo, embora a política monetária tenha influência na desaceleração da economia e na formação das expectativas, ela não é o único fator que explica a redução das projeções.

“Claro que tem o papel da taxa básica de juros, que já tem contribuído para desaceleração da atividade econômica, e isso também contribui para a ancoragem das expectativas, para a redução das projeções de inflação, sobretudo de curto e médio prazo. Agora, seria incorreto atribuir essa ancoragem das expectativas ao papel da política monetária. O que tem puxado a inflação para baixo nesse momento é, sobretudo, um arrefecimento dos preços dos alimentos e, em alguma medida, dos transportes também.”

Crescimento econômico

Além da inflação, o Boletim Focus também revisou ligeiramente para baixo a projeção de crescimento do PIB deste ano, que passou de 2,21% para 2,18%. Para 2026, a expectativa é de expansão de 1,86%.

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O Boletim Focus também revisou para baixo a previsão de crescimento da economia. A expectativa para o PIB de 2025 caiu de 2,21% para 2,18%. Para 2026, a projeção é de expansão de 1,86%.

REPORTAGEM, Livia Braz

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Sobre a repórter

Lívia Braz

Formada em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em 2007, é repórter do Brasil 61 desde 2022. Ao longo de 18] anos de carreira, atuou nas redações da Record TV e na assessoria de comunicação do Governo do Distrito Federal (GDF), cobrando fatos relevantes da história do pais, como posses presidenciais e eventos jurídicos, como o julgamento do Mensalão no STF.