Educação·29 de setembro de 2018

Mais de 8 mil alunos desistiram de curso de engenharia, no Paraná, em 2017

Por Agência do Rádio

Por Sara Rodrigues

Os cursos de engenharia no Paraná têm registrado altas taxas de abandono. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), em 2017, cerca de 19 mil estudantes iniciaram faculdade em uma das engenharias no estado. Porém, no mesmo ano, mais de 8 mil alunos decidiram trancar o curso.

Neste contexto, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) publicou um estudo que mostra que o Brasil tem formado poucos engenheiros, e que isso prejudica o desenvolvimento tecnológico do país.

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O professor de engenharia civil da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Mauro Lacerda, acredita que o problema é a falta de estímulo aos estudantes ainda no Ensino Médio. Ele acredita que é necessário despertar o interesse nos estudantes.

“Se você olhar qual é a solução que se faz na Europa hoje, por exemplo, é procurar trazer o aluno do ensino médio para a engenharia, através de uma série de condições de contorno. A pessoa pode ser formar em engenharia e pode frequentar o curso em diversos países”, explica.

Lacerda afirma que é uma banalização da informação, e por isso, muito do que se ensina precisa ser reinventado, descobrindo novas maneiras de se ensinar e também de aprender.

O problema não está só no Paraná – é uma preocupação nacional. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), para cada 10 mil habitantes, apenas 4,8 são graduados em engenharia. Enquanto em países mais desenvolvidos como Coreia, Rússia, Finlândia e Áustria contavam com mais de 20 engenheiros para o mesmo número de pessoas.

A diretora de inovação da CNI e superintendente nacional do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Gianna Sagazio, explica que o mundo tem mudado de forma muito acelerada, e por isso, é importante preparar bem futuros engenheiros para que eles acompanhem o ritmo da indústria.

“Se não tivermos engenheiros e engenheiras preparados para os impactos dessa revolução digital, não conseguiremos ser competitivos e nem gerar qualidade de vida para a nossa população”, afirma Sagazio.

O estudo da CNI “Ensino de Engenharia: Fortalecimento e Modernização” faz parte de uma série de propostas que foram entregues para os presidenciáveis, neste ano. Para a problemática da evasão e interesse pelos cursos de engenharia, foi proposta uma melhoria no ensino e no desenvolvimento de habilidades que caminham lado a lado com o setor produtivo brasileiro.

Além dos índices baixos de estudantes que concluem o curso de engenharia, os cursos também não foram tão bem avaliados. Em 2016, 1.538 cursos foram avaliados. Destes, o INEP informou que cerca de 60% atingiram apenas a nota mínima satisfatória, e 15% ficaram abaixo desse valor.

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