O mercado de trabalho tem cada vez menos oportunidades para quem tem formação apenas na Educação Básica. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, mais de 26% dos jovens mineiros que tem entre 18 e 24 anos estão desempregados.
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Edmar Alcântara é gerente de Educação Profissional do SENAI, aqui de Minas Gerais. Ele lembra que, na época em que ele decidiu entrar no mercado de trabalho, os profissionais eram capacitados para permanecer no mesmo emprego por bastante tempo. Ele percebeu que o setor da indústria era uma boa oportunidade para começar a trabalhar. Alcântara defende que, ainda hoje, os cursos técnicos são ideais.
“A primeira coisa para o jovem que vai entrar no mercado de trabalho é a seguinte: ele precisa escolher uma área de conhecimento. Não necessariamente uma profissão. A área de conhecimento hoje é muito mais ampla do que a profissão. Eu sou engenheiro, mas atuo na área administrativa ou no mercado financeiro”.
De acordo com um estudo da Confederação Nacional da Indústria, a CNI, a Educação Básica brasileira precisa de uma nova estrutura. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica é um medidor nacional que contabiliza o rendimento dos estudantes nas escolas. O último resultado mostrou que os números são menores que o esperado. A meta estabelecida pelo Ministério da Educação era quatro pontos. O estado de Minas Gerais pontuou apenas 3,70.
O professor e pesquisador do departamento de Psicologia Social e do Trabalho da Universidade de Brasília, Jairo Borges, defende qual é o tipo de educação ideal que os jovens precisam receber hoje.
“O que nós estamos chamando aqui de boa educação: é tornar o indivíduo capaz de aprender novas coisas. Não é só tornar o indivíduo capaz de fazer as coisas que precisam ser feitas agora no mercado trabalho, porque se a gente vai por aí, rapidamente o sujeito vai ficar defasado.”
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, a PNAD, de 2017, apontam que apenas 28,5% dos jovens de até 19 anos terminaram o ensino médio. Este mesmo levantamento mostrou que 70 milhões de pessoas deveriam buscar a Educação de Jovens e Adultos, o EJA. Porém, no ano passado, apenas três milhões e meio se inscreveram.
O diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi, explica que um jovem que busca o curso técnico como conhecimento a mais, tem mais chances de se destacar no mercado de trabalho.
“Vamos imaginar a primeira situação em que um jovem recém saído do ensino médio, e olha que ele é um vitorioso, porque metade não chega lá, na sua primeiro processo de seleção, que vai falar com profissional de RH, se tiver num plano médio, 75% não aprendeu adequar a língua portuguesa. E ele não tem Educação Profissional. Imagine o drama desse jovem para conseguir uma vaga no mercado de trabalho.”
De acordo com a CNI, apenas 11% dos alunos que estão no Ensino Médio fazem um curso técnico no período contrário ao da escola. Na Áustria e Finlândia, este número já passou de 70%. Na Alemanha, Dinamarca, Portugal e França, os jovens que cursavam educação profissional durante o Ensino Médio já passam de 40%.
Com a colaboração de Sara Rodrigues, reportagem, Raphael Costa