Brasil·04 de setembro de 2018

Má qualidade das rodovias de MG encarece preço final de mercadorias

<p>De acordo com a CNT, mais de 60% da malha rodovi&aacute;ria mineira est&aacute; em condi&ccedil;&otilde;es ruim ou regular</p>

Por Agência do Rádio
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Por Juliana Gonçalves

O escoamento de mercadorias no Brasil depende, quase que exclusivamente, das rodovias. Em Minas Gerais, de acordo com dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT), mais de 60% da malha rodoviária está em condições ruim ou regular.

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Uma das rodovias em más condições é a BR-497, que liga Uberlândia à Prata. Os principais problemas apontados pelos motoristas é a péssima qualidade do asfalto e a pouca sinalização.

De acordo com o professor do departamento de Engenharia de Transporte e Geotecnia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Ronderson Hilário, a qualidade das rodovias impacta o desenvolvimento da economia, já que os preços cobrados do consumidor final são mais caros.

“Com rodovias de qualidade inferior, a mercadoria chega ao consumidor final com tempo de viagem maior e isso encarece no frete. E já que você tem um problema nas rodovias você vai ter um encarecimento maior no preço de manutenção do caminhão que impacta diretamente na mercadoria. Então, construir rodovias com qualidades melhores o custo final para o consumidor tende a ser menor, porque o custo de logística é menor para o empresário”, disse.Segundo o professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-Log), da Universidade de São Paulo (USP), João Vicente Caixeta Filho, 80% do transporte de carga agrícola do país é feito por rodovias. Para ele, a solução, muitas vezes, esbarra em questões políticas.

“O tempo de maturação para a obra ferroviária é mais longo, ultrapassa os mandatos políticos. Então, deve fazer parte de uma agenda mínima de estado, e o estado extrapola governo e partido político. Nós precisamos de projeto de estado onde de fato possa ter uma capilaridade adequada para movimentar as cargas de uma maneira geral, e particularmente as cargas agrícolas", analisou.

Em ano eleitoral, os temas ligados à infraestrutura têm sido cada vez mais discutidos pelos postulantes ao Planalto. Henrique Meirelles, candidato à presidência pelo MDB, por exemplo, concorda que o sistema ferroviário é uma das melhores opções disponíveis.

“É fundamental nós transformarmos o Brasil em um canteiro de obras. De maneira a que o agronegócio possa ter um transporte mais rápido e de menor custo. E ao mesmo tempo, não usar somente as estradas, mas as ferrovias, que tem um sistema mais eficiente para transportar grandes quantidades”, prometeu.

O candidato do PSOL, Guilherme Boulos, disse que é preciso aumentar o investimento estatal na área, que hoje corresponde a apenas 2% do PIB. Já Marina Silva, da Rede, defende um projeto econômico que esteja atento às mudanças nas formas de produção mundial.

O tucano Geraldo Alckmin aponta a necessidade de ajuste fiscal para retomada da economia, o que, consequentemente, aumentaria os investimentos no país, incluindo na infraestrutura.

Ciro Gomes, do PDT, disse que, para garantir investimentos em todas as áreas, incluindo infraestrutura, é preciso revogar a PEC do teto de gastos, aprovada pelo governo de Michel Temer, que, segundo ele, congela gastos com saúde, educação e investimentos.

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