Comunidades indígenas e quilombolas são duramente afetadas pela covid-19. Segundo especialistas de saúde, os indígenas ficam mais vulneráveis a doenças infectocontagiosas, o que acende um sinal de alerta entre líderes e defensores de direitos humanos.
Para minimizar o impacto do novo coronavírus nessas parcelas da população, o governo federal garante que tem distribuído cestas básicas a indígenas e comunidades tradicionais e fala em investimentos de R$ 4,7 bilhões em ações específicas para comunidades indígenas e quilombolas.
“Nós estamos entregando para as comunidades indígenas em torno de 320 mil cestas básicas, mas também o alimento vai chegar aos quilombos e também a áreas com povos ciganos e para quem vive em regiões ribeirinhas”, afirma a ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves.
Dados da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) confirmam 2.608 casos do novo coronavírus entre indígenas e 89 mortes, até a última quinta-feira (11). Já a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), associação nacional de entidades que representam esses brasileiros, estima que os registros da doença sejam bem maiores que os oficiais: 3.166 casos confirmados e 269 óbitos até a última sexta-feira (12).
Isonomia
Sônia Guajajara, liderança indígena e coordenadora da APIB, defende que essa população não pode ser esquecida pelas autoridades. “O poder público tem que assumir o atendimento igualitário, independentemente de onde o indígena esteja ou viva, porque o fato dele estar na cidade não faz com que ele deixe de ser indígena”, lembra a ativista.
Entre os quilombolas, o governo federal sequer possui dados sobre o avanço da Covid-19. Segundo o Observatório da Covid-19 nos Quilombos, os casos do novo coronavírus nessa população chegam a 388 e o número de mortes, a 65.
Givânia Silva, fundadora da Coordenação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), critica os protocolos adotados, que, segundo ela, não impedem a disseminação do coronavírus.
“Os protocolos das autoridades, dos órgãos de saúde, dizem que, ao detectar uma pessoa infectada, todos os que têm contato têm que ser testados. Na questão quilombola, isso não está acontecendo. Nós achamos que isso é muito grave e tem muito a ver com as vidas que importam viver e as que não importam viver”, reprova.
LOC.: Entre os quilombolas, o governo federal sequer possui dados sobre o avanço da Covid-19. Segundo o Observatório da Covid-19 nos Quilombos, os casos do novo coronavírus nessa população chegam a 388 e o número de mortes, a 65. A Coordenação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) alega que os protocolos adotados por autoridades de saúde não estão sendo cumpridos e, por isso, não impedem a disseminação do vírus.
Reportagem, Paulo Oliveira