Educação·16 de janeiro de 2019

Jovem gaúcha pode ser primeira mulher da modalidade de mídia impressa a disputar a WorldSkills

Por Agência do Rádio
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Com apenas 19 anos, a porto alegrense Andressa Batista pode ser a primeira mulher da modalidade de tecnologia de mídia impressa a disputar a 45ª WorldSkills, que este ano será realizada em Kazan, na Rússia entre os dias 22 e 27 de agosto. Esta é a maior competição de educação profissional do mundo. A partir deste mês de janeiro, a aluna do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) de Porto Alegre (RS) vai disputar uma vaga entre os 57 competidores que irão à Rússia.

Ela e alunos de outros estados, vão estar em Brasília para um período de treinamentos. A delegação brasileira ainda aguarda a inscrição de seis competidores do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), totalizando 63 brasileiros na disputa. Eles brigarão pelo título no Centro Internacional de Exposições KAZAN EXPO, local da competição.

Em 2017, Andressa se formou no curso técnico de impressão offset na escola do SENAI de Artes Gráficas Henrique D'Ávila Bertaso, em Porto Alegre (RS). Depois, se dedicou às etapas escolar e estadual, até chegar à etapa nacional da WorldSkills. Ela comemora a possibilidade de ser a primeira mulher na modalidade, a competir no torneio e fala sobre a preparação para o treinamento.

"Tinha muita gente dizendo que eu não conseguiria, que não seria fácil porque eu sou a primeira mulher. Então foi bem difícil no começo. Mas todo o SENAI, principalmente meus treinadores me deram muito apoio, o que me deixou com mais vontade. Valeu a pena mesmo deixar algumas coisas de mão para conseguir isso. O diferencial para nós é que no nosso treinamento, a gente é muito preparado para qualquer coisa na hora do ‘vamos ver’ mesmo, na hora da prova."

Victor Bernardo orienta Andressa desde fevereiro de 2016, quando deu aula para ela no curso técnico de impressão offset. Já no segundo semestre de 2017, ele virou o instrutor da então competidora para as seletivas estaduais. E Andressa vai ter um bom conselheiro na Rússia, pois Victor foi campeão na categoria de impressão offset no torneio mundial em 2015, ano em que o Brasil foi campeão por equipes em São Paulo. Ele também participou do mundial de 2017 em Dubai, nos Emirados Árabes, quando a delegação brasileira ficou em segundo lugar no quadro geral. O instrutor se orgulha de a modalidade poder ter uma representante mulher na WorldSkills, e ainda explica como funciona o processo de seleção, feito durante o curso.

"A gente avalia vários pontos: perfil do aluno, o rendimento prático/teórico durante as aulas. Mas claro que é um orgulho para a escola ter uma representante menina, porque historicamente são meninos. Os alunos começam a fazer algumas provas similares ao que acontece em competição, para eles começarem a entender o processo, e também começar a se adaptar a terminar a prova no tempo. Se faz um simulado, o treinador faz a avaliação e identifica pontos a melhorar e depois disso, a discussão entre os dois, aplica as melhorias e testa para ver se está dando certo ou não.”

A competição é realizada a cada dois anos e reúne os melhores alunos de países das Américas, Europa, Ásia, África e Pacífico Sul para disputarem medalhas em modalidades de acordo com as profissões técnicas da indústria e do setor de serviços. Na edição deste ano, serão mais de 60 países, 56 ocupações e 1,6 mil competidores. Os jovens também vão ter de demonstrar habilidades individuais e coletivas para concluírem os desafios de suas ocupações. Durante os quatro dias de competição, Andressa e os competidores terão um total de 22 horas para entregarem o projeto. Em 18 participações, o Brasil já acumulou 136 medalhas. A melhor participação foi em São Paulo, em 2015. Com 27 medalhas, a equipe ficou em primeiro no ranking por países.

Reportagem, Pedro Marra.

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