O aluno Lucas Coimbra, de 18 anos, do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) de Contagem (MG), é um dos 57 competidores da instituição que pode representar o Brasil na WorldSkills em Kazan, na Rússia. A vaga no mundial de educação profissional, que será realizado em agosto deste ano, virou o objetivo do jovem.
Caso seja aprovado na fase de treinamentos, ele vai competir na ocupação de carpintaria de telhados na 45ª edição do torneio, que ocorre na Kazan Expo. Mais outros seis alunos do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) também integram a equipe brasileira. Mas antes de estar no grupo de preparação, o mineiro passou por algumas reviravoltas durante a Olimpíada do Conhecimento.
Desde 13 de janeiro, o jovem treina em Brasília (DF), onde deve ficar até agosto, quando viaja para a Rússia. Mas só Lucas sabe as dificuldades que teve. Ele passou pela etapa escolar em julho de 2017. No mesmo ano, ganhou o estadual no SENAI de Ubá (MG). Foi quando teve de interromper os treinamentos para a etapa nacional porque torceu o tornozelo jogando futebol.
Mas ele não parou de estudar os desafios, e um mês e meio depois, já estava recuperado. Em julho de 2018, Lucas ganhou a medalha de ouro na etapa nacional em Imperatriz (MA), mas essa conquista só veio após ele superar um imprevisto.
“O meu carrinho de ferramentas que saiu de Minas atrasou. Aí no primeiro dia de provas, que já começa a analisar o projeto e fazer, foi quando ele chegou. A transportadora não viu que tinha um prazo determinado para chegar. Mas só que eu fiquei tranquilo. Comecei a competição sem as minhas ferramentas, praticamente. Eu tive que ajustar a minha área de trabalho durante a prova. Ajudou bastante eu ter ficado tranquilo, porque os meus adversários vendo eu tranquilo e sem ferramentas, já começaram a se preocupar comigo e esquecendo a prova deles.”
Com sete edições de WorldSkills como expert no currículo, Paulo Villiger é o consultor do Departamento Nacional do SENAI no torneio. Ele participa da competição na função de treinador desde 1997, na Suíça. Para ele, os competidores precisam ter capacitação em outras áreas para ter êxito nas provas.
“Você tem durante a competição uma série de coisas que devem ser executadas em tempos bastante estreitos, bastante curtos. Então, a concentração, a confiança e toda uma parte motivacional e organizacional também precisam ser trabalhadas. Então, não existe só o aspecto técnico.”
A WorldSkills acontece de dois em dois anos e reúne os melhores alunos de países das Américas, Europa, Ásia, África e Pacífico Sul. Eles disputam medalhas em modalidades segundo as profissões técnicas da indústria e do setor de serviços. Os competidores têm 22 horas para entregarem o projeto. Em 2015 na cidade de São Paulo, o Brasil atingiu a melhor participação da história. Com 27 medalhas, a equipe ficou em primeiro no ranking por países.
Reportagem, Pedro Marra