
Por Camila Costa
Indústrias do Amapá têm corrido atrás de preparar o terreno para a incorporação de novas tecnologias, rumo à indústria 4.0. A mudança da base industrial, da estrutura de chão de fábrica e da cultura analógica passa pelo conhecimento e a qualificação. É o caso da Sambazon, indústria de comércio e exportação de açaí de Amapá. Com a implementação de um software simples, os gestores passaram a acompanhar, por um tablet, as paradas do processo de produção. Com esses dados, eles aperfeiçoaram o processo, reduziram o tempo de trabalho e já conseguiram aumentar em cerca de 30% a produtividade.
O sistema implantando na Sambazon é apenas a primeira etapa de um caminho de modernização da indústria amapaense. A nova tecnologia, que permite a empresa quantificar e estratificar as paradas dos equipamentos que produzem as polpas do açaí, é a responsável hoje por identificar os gargalos da empresa de forma mais objetiva. Marcelo da Silva Rodrigues, gerente de Produção da Sambazon, afirma que a produção que antes durava 1h, foi reduzida para 40 minutos.
Em cima das falhas no processo, Marcelo pode avaliar quais mudanças eram necessárias, incluindo, a compra de novas equipamentos. “Não é somente a redução de tempo, mas a redução do tempo e um produto de maior e melhor qualidade. Todo esse estudo nos fez refletir na questão da análise de problemas da nossa linha, tivemos como estratificar e ver com mais representatividade quais seriam os gargalos, elaborar plano de ação, adquirir peças, aumentando a produtividade”, comenta o empresário.
A nova era
A Indústria 4.0 resulta da incorporação, em larga escala, de tecnologias digitais à produção industrial. Ela vem transformando a forma como se produz, com novos processos, produtos e modelos de negócios que há pouco tempo não era cogitado. Além disso, promete tornar os modelos convencionais de produção gradualmente ineficientes, o que força o setor produtivo a incorporar as novas tecnologias o quanto antes, como mostra o estudo da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), o “Propostas para as eleições 2018 - Indústria 4.0 e Digitalização da Economia”.
De acordo com o material enviado aos candidatos à presidência da República – como forma de estimular o debate nos próximos quatro anos –, as principais nações industrializadas têm inserido a Indústria 4.0 no centro de suas estratégias de política industrial para preservar e aumentar a competitividade dentro do setor produtivo.
Especialistas garantem que os impactos irão muito além de ganhos de produtividade no chão de fábrica. Leia mais sobre o assunto aqui.
O coordenador de Tecnologia e Inovação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) do Amapá, José Reinaldo do Nascimento Neto, explica que o modelo industrial do Amapá é de indústrias em processo de inovação crescente e conta que o SENAI tem atuado dentro do SENAI 4.0 com o programa chama Rota 4.0, uma forma de fazer um raios-x do cenário industrial do estado.
“A gente está hoje trabalhando, preparando as indústrias com os serviços na base industrial, tem consultorias como a de introdução à indústria 4.0; depois vai falar de indústria mais avançada. Então, você pega indústria que está em 2.2 e tenta levar ela, através destes serviços, que vão trabalhar dentro da estrutura base, até atingir 4.0. Primeiramente, na parte de serviços, que a gente vai trabalhar no chão da fábrica”, explica o coordenador.
Com a oferta de cursos, palestras, workshops, o SENAI tem trabalhado em todo o país um momento de transição de tecnologia. “O principal propósito do SENAI não é vender somente o serviço, mas é você trabalhar a cultura de inovação dentro das empresas, porque não adianta chegar com uma metodologia de 4.0 quando a metodologia ainda está em protocolar ações e processos no livro de protocolos. Tem que desmistificar esse chão de fábrica para que possa ter uma cultura mais inovadora”, defende José Reinaldo do Nascimento Neto.