Infraestrutura - Energia·03 de outubro de 2026

Impulsionado pelo El Niño, consumo de eletricidade residencial bate recorde histórico em agosto

Alta de 4,3% no mês é a 5º consecutiva, mas com as chuvas nos reservatórios do Sul e Sudeste volta também bandeira tarifária verde

Por Álvaro CoutoNascido e criado em Brasília, formado pela rede pública de ensino do DF e graduado em jornalismo pelo IESB. Passou pelas redações do Metrópoles, da TV Bandeirantes, da TV Brasília e hoje atua como repórter de agropolítica no canal Agro+
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Foto: Ricardo Botelho/MME
Foto: Ricardo Botelho/MME·Foto: Brasil 61

O consumo nacional de energia elétrica totalizou 47.856 GWh em agosto de 2026, alta de 4,3% em relação a agosto de 2025, segundo a Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica, divulgada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Esse foi o quinto mês consecutivo de crescimento na comparação interanual, com avanço em todas as classes de consumo: residencial (+6,9%), comercial (+9,4%), industrial (+0,2%) e outros (+3,0%). No acumulado dos últimos 12 meses, o consumo nacional chegou a 574.174 GWh, alta de 1,4% sobre igual período anterior.

A classe residencial alcançou 14.953 GWh em agosto, com o Consumo Residencial Médio (CRM) batendo recorde histórico da série da EPE, iniciada em 2004, ao atingir 181,8 kWh por mês. Temperaturas mais elevadas que as do mesmo mês do ano anterior, favorecidas pelo fortalecimento do El Niño no período, motivou o uso de equipamentos de climatização, como ares-condicionados e ventiladores, resultado que ainda foi impulsionado pela melhora dos indicadores de emprego e renda da população e a menor pressão tarifária, uma vez que em agosto do ano passado vigorava a bandeira vermelha patamar 2, a mais alta, ante a bandeira amarela no mesmo mês deste ano.

Já o consumo comercial somou 8.717 GWh, maior taxa de crescimento desde fevereiro de 2024, em um contexto de expansão da atividade econômica refletido nos dados do varejo e dos serviços divulgados pelo IBGE, além do mesmo efeito de temperaturas mais altas e bandeira tarifária mais branda observado nas demais classes.

O setor industrial, por sua vez, manteve patamar elevado, com 17.164 GWh em agosto — o segundo maior consumo mensal da série histórica, atrás apenas de agosto de 2024, mesmo com alta discreta de 0,2% sobre o ano anterior. Produtos alimentícios e extração de minerais metálicos lideraram o crescimento entre os segmentos mais eletrointensivos, enquanto têxtil, borracha e material plástico e minerais não metálicos registraram queda no consumo.

Bandeira tarifária

Para outubro, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) determinou o retorno da bandeira tarifária verde, que não aplica nenhum acréscimo à conta de luz, encerrando um período de cinco meses seguidos sob a bandeira amarela — que tinha custo adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Segundo a Aneel, a mudança se deve ao aumento no volume de chuvas, sobretudo nas regiões Sul e Sudeste, que estabiliza o armazenamento nos reservatórios das hidrelétricas e permite reduzir o uso de fontes de geração mais caras, como as termelétricas.

Criado em 2015 pela Aneel, o sistema de bandeiras reflete, por meio de cores, os custos variáveis de geração de energia no país: quando a bandeira é verde, não há acréscimo na conta; já as bandeiras amarela e vermelha, nos patamares 1 e 2, aplicam valores adicionais a cada 100 kWh consumidos, de acordo com o custo de geração projetado para o mês.

Além da bandeira, o valor final pago pelo consumidor depende da tarifa de energia cobrada por cada distribuidora. A Aneel disponibiliza um ranking nacional de tarifas, que aponta o custo médio do quilowatt-hora (kWh) cobrado por cada concessionária ou permissionária do país, atualmente em 0,839 R$/kWh (não inclui tributos, taxas ou adicionais).

Regionalizado

Na comparação regional, todas as áreas do país registraram expansão no consumo total em agosto, com destaque para o Centro-Oeste (+8,8%), seguido por Sul (+4,9%), Nordeste (+4,8%), Norte (+3,8%) e Sudeste (+3,1%). O comportamento, no entanto, varia conforme a classe de consumo observada em cada região.

No consumo residencial, o Centro-Oeste (+17,2%) e o Norte (+12,4%) puxaram a alta nacional, seguidos por Sudeste (+5,4%) e Nordeste e Sul (+5,0%, empatados). Entre os estados, treze registraram crescimento de dois dígitos nesta classe, com destaque para Mato Grosso do Sul (+26,0%), Mato Grosso (+25,3%), Acre (+20,5%), Espírito Santo (+18,3%) e Amazonas (+16,7%). Na direção oposta, apenas Rio Grande do Sul (-4,0%), Distrito Federal (-1,5%) e Pernambuco (-0,5%) tiveram retração no consumo residencial do mês.

No consumo comercial, as maiores altas regionais ficaram com Sul (+14,2%) e Centro-Oeste (+10,9%), seguidos por Sudeste (+9,2%), Norte (+8,9%) e Nordeste (+4,1%). Entre os estados, os maiores avanços couberam a Mato Grosso do Sul (+25,1%), Santa Catarina (+20,3%), Paraná (+15,1%), Mato Grosso (+14,8%) e Espírito Santo (+13,1%), enquanto o Rio Grande do Norte (-1,4%) foi o único a apresentar queda na classe.

Já no consumo industrial, apenas a Região Norte (-4,8%) reduziu o uso de eletricidade em agosto, enquanto Sul (+2,2%), Nordeste (+1,4%), Centro-Oeste (+0,2%) e Sudeste (+0,1%) consumiram mais que no mesmo mês de 2025. No recorte estadual, o Amapá (+58,7%) teve a maior alta do país na classe industrial, e Alagoas (-25,3%) a maior retração, nesse caso influenciada pela paralisação de uma unidade de cloro-álcalis no Nordeste desde outubro de 2025.

O consumo nacional de energia elétrica totalizou 47.856 gigawatts-hora em agosto, alta de 4,3% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo a Empresa de Pesquisa Energética. Foi o quinto mês seguido de crescimento, com alta em todas as classes: residencial, comercial, industrial e outros.

A utilização de eletricidade nos lares brasileiros bateu recorde histórico, impulsionado por temperaturas mais altas provocadas principalmente pelo El Niño, que aumentaram o uso de ar-condicionado e ventiladores, além da melhora no emprego, na renda e a bandeira tarifária mais branda do que a de agosto do ano passado.

O consumo comercial teve a maior alta desde fevereiro de 2024, puxado pela expansão do varejo e dos serviços. Já o setor industrial, apesar de crescer pouco, registrou o segundo maior volume da série histórica, com destaque positivo para produtos alimentícios e extração de minerais metálicos.

Na comparação regional, todas as áreas do país tiveram alta no consumo total, com o Centro-Oeste na liderança, seguido por Sul, Nordeste, Norte e Sudeste. No consumo residencial, estados como Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Acre tiveram os maiores avanços; no comercial, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina lideraram; e na indústria, o Amapá teve o maior crescimento do país, enquanto Alagoas teve a maior queda.

Mas a alta na demanda não deve impactar a conta de luz. Após cinco meses seguidos de bandeira amarela, a Aneel determinou o retorno da bandeira tarifária verde para outubro, sem nenhum acréscimo na cobrança. Segundo a agência, a mudança se deve ao aumento das chuvas no Sul e no Sudeste, que melhora o armazenamento das hidrelétricas e reduz a necessidade de usinas termelétricas, mais caras.

Reportagem, Álvaro Couto.

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Sobre a repórter

Álvaro Couto

Nascido e criado em Brasília, formado pela rede pública de ensino do DF e graduado em jornalismo pelo IESB. Passou pelas redações do Metrópoles, da TV Bandeirantes, da TV Brasília e hoje atua como repórter de agropolítica no canal Agro+