Economia·27 de fevereiro de 2018

Gasto com Previdência ainda é problema no Piauí

<p>Especialista defende retomada da discuss&atilde;o da reforma no Congresso Nacional<br />&nbsp;</p>

Por Agência do Rádio
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A situação previdenciária do Piauí não é das mais animadoras. O déficit no setor já ultrapassa 6,5%, de acordo com estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea. Na prática, isso significa que, do dinheiro que o governo tem para investir em outras áreas, essa porcentagem está servindo apenas para pagar aposentadorias e pensões.

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Para se ter uma ideia, um levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo, que analisou os relatórios fiscais dos 26 estados e do Distrito Federal, constatou que o Piauí gasta mais com Previdência do que com educação. Para cada R$100 aplicados no setor estudantil, cerca de R$ 131 são investidos no sistema previdenciário.

É por essas razões que o professor da PUC-Rio e economista da Opus Gestão de Recursos, José Márcio Camargo, entende que as discussões sobre a reforma da Previdência devem serretomadas logo que possível. O especialista explica que o déficit ainda existe e isso não pode ser ignorado.

“A reforma da Previdência é imprescindível. Na evolução que estão indo os gastos com Previdência, daqui a 15 anos, todos os gastos do governo Federal vão ser com aposentadorias e pensões. A reforma vai ter que ser feita. E algum momento ela vai ter que ser feita.”

Recentemente, o governo federal decidiu agir com uma intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro, para tentar conter a violência local.

Pela lei, a Constituição não pode ser alterada durante o período da intervenção. Logo, nenhuma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) pode ser aprovada, o que afetou o andamento da reforma da Previdência.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2015 e 2016, a expectativa de vida do piauiense aumentou de 70,9 para 71,1 anos. Por outro lado, a taxa de fecundidade, que é o número de filhos que uma mulher tem durante toda a vida, diminuiu. Em 1960, por exemplo, uma mulher brasileira tinha cerca de 6,3 filhos. Atualmente esse número caiu para 1.9.

Da forma como funciona o sistema previdenciário, a partir dessa relação, o coordenador de Previdência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Rogério Nagamine, não vê outra solução para o problema previdenciário do Brasil, a não ser alterar as regras de aposentadoria.

“Os benefícios dos aposentados e pensionistas são pagos pela contribuição das pessoas que estão trabalhando. Então tanto pela questão da sustentabilidade, como para evitar custos excessivos para as gerações futuras, é fundamental fazer a reforma da Previdência”.

A reforma da Previdência prevê, entre outras coisas, que as mulheres se aposentem com 62 anos de idade e os homens com 65. Recentemente o relator da matéria apresentou uma nova redação do texto. Uma das mudanças ficou em torno da inserção de pensão integral para viúvos e viúvas de policiais mortos em combate.

Reportagem, Marquezan Araújo

#aposentadorias
 

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